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Política

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Flávio Bolsonaro pede prisão de coordenador da Secom por incentivo à fake news sobre N. S. Aparecida

Coordenador da pasta republicou incentivo a divulgação de informação falsa que atrela candidato do PL a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida; governo diz que publicação era pessoal e diz reiterar 'compromisso com a liberdade de expressão'

26 set 2026 - 13h39
(atualizado às 14h41)
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Resumo
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão preventiva de George Marques, coordenador da Secom, acusando-o de crimes como associação criminosa ao incentivar fake news sobre a suposta retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida pelo candidato. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a medida como arbitrária, ressaltando que o servidor agiu em perfil particular, fora do expediente e sem ligação com a pasta governamental.

BRASÍLIA - A campanha do senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), pediu a prisão preventiva de George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), por incentivar a divulgação de informações falsas sobre o candidato.

O pedido foi apresentado ao Ministério Público Eleitoral, na sexta-feira, 25, que ainda não se manifestou sobre a notícia-crime.

O candidato Flávio Bolsonaro em carreata com Douglas Ruas, candidato ao governo do Rio de Janeiro
O candidato Flávio Bolsonaro em carreata com Douglas Ruas, candidato ao governo do Rio de Janeiro
Foto: Pedro Kirilos/Estadao / Estadão

Na sexta-feira, 25, Marques republicou mensagem que estimulava o compartilhamento da informação falsa de que Flávio e o PL apoiavam a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

"Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte", dizia a publicação, que depois foi apagada.

Coordenador da Secom, George Marques republicou post que incentivava divulgação de informação sobre Flávio Bolsonaro
Coordenador da Secom, George Marques republicou post que incentivava divulgação de informação sobre Flávio Bolsonaro
Foto: Reprodução / Estadão

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que o pedido é injusto e arbitrário. Disse que não se pode atribuir ao governo a responsabilidade por uma republicação feita por servidor "em caráter estritamente pessoal, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com a utilização de equipamento próprio" (leia mais abaixo).

O post foi compartilhado quando já era público que as informações que circulavam sobre ataques de Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida eram falsos. O boato começou com influenciadores lulistas e ganhou corpo depois de uma informação errada da GloboNews, que posteriormente divulgou uma correção.

O pedido de prisão contra George Marques cita outras quatro republicações feitas por ele. Entre elas, a de um post que afirmava que "A igreja católica está sendo perseguida no Brasil por Flávio Bolsonaro".

Servidor da Secom compartilhou informações falsas sobre Flávio Bolsonaro contra a Igreja Católica
Servidor da Secom compartilhou informações falsas sobre Flávio Bolsonaro contra a Igreja Católica
Foto: Reprodução / Estadão

Os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro apontaram indícios de três crimes: divulgação de fatos sabidamente inverídicos na campanha, previsto no Código Eleitoral; o de incitação ao crime e o de associação criminosa, previstos no Código Penal.

As penas máximas somadas chegam a seis anos. O Código de Processo Penal estabelece que prisão preventiva é juridicamente admissível em crimes dolosos com penas superiores a quatro anos.

Só o crime de associação criminosa tem máxima de três anos. O enquadramento se deu, segundo o pedido feito ao MP Eleitoral, porque as publicações difundidas pelo servidor "revelam linguagem de grupo ('quase nos ferram', 'temos um mote'), divisão de tarefas entre quem formula a estratégia e quem a amplifica, público-alvo definido e fim comum específico, qual seja, manter a falsidade em circulação até o primeiro turno".

"Vale rememorar, uma vez mais, que o Noticiado ocupa justamente o cargo de coordenação da estratégia e da informação da comunicação governamental. Quem tem por ofício formular narrativas e coordenar sua distribuição não é um repostador casual, mas sim quem detém o saber e os meios para articular a atuação do grupo", diz a petição.

O que diz o Palácio do Planalto

As alegações formuladas pelo candidato Flávio Bolsonaro não procedem. Causa especial estranheza e indignação o pedido injusto e arbitrário de prisão de um cidadão brasileiro.

É importante esclarecer que, ao atribuir ao Governo Federal a responsabilidade por uma republicação realizada pelo senhor George Marques, o candidato distorce os fatos e ignora deliberadamente que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente e com a utilização de equipamento próprio.

O Governo Federal reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros e manifesta repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro.

Estadão
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