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Brasil

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Lula diz que não aplicará reciprocidade enquanto estiver negociando com EUA

21 set 2026 - 17h15
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Resumo
O presidente Lula afirmou que o Brasil não aplicará a lei de reciprocidade enquanto mantiver negociações comerciais com os EUA, após as tarifas impostas por Donald Trump. Apesar de descartar uma guerra tarifária imediata, Lula alertou que poderá retaliar caso não haja acordo. Em Nova York para a ONU, o petista criticou a postura de Trump, a quem chamou de "imperador", defendeu a soberania brasileira e admitiu receio de possíveis interferências norte-americanas nas eleições do país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‌disse nesta segunda-feira que não aplicará a lei de reciprocidade enquanto o Brasil estiver em negociações comerciais com os Estados Unidos, após a imposição de tarifas a produtos brasileiros pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

 "Nós estamos negociando, e de novo, enquanto ainda estamos na mesa de ⁠negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Eu ‌tenho que ser mais paciente. Mas é importante você saber que se não há acordo, nós vamos ter que aplicar a ‌lei da reciprocidade", disse o presidente em ‌entrevista à CNN Internacional.

 Lula destacou o fato de ter falado ⁠com Trump recentemente e, depois da conversa, as negociações terem sido reabertas. A primeira reunião, virtual, entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, ocorreu há cerca de três semanas e serviu para ‌reabrir as conversas, mas o governo brasileiro não espera avanços pelo menos ‌até depois das eleições.

Lula ⁠foi perguntado ⁠se pretendia seguir o caminho do Canadá e entrar em uma guerra tarifária com ⁠os EUA, caso as negociações ‌não avancem. O presidente ‌negou, e disse que se for necessário terá que analisar com cuidado as medidas a serem tomadas dentro da lei da reciprocidade.

"Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com ⁠os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito em negociações", afirmou.

IMPERADOR

Em Nova York para a abertura das Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula pode encontrar de novo com o presidente norte-americano ‌nos corredores da ONU, apesar de não haver nenhuma negociação para uma conversa. 

 Os dois mantêm um relacionamento pessoal, apesar do momento entre ⁠os governos não ser dos melhores. Na entrevista, Lula admitiu que teme interferências dos Estados Unidos na eleição brasileira, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, mas que até agora são apenas suspeitas.

 Apesar de ter aberto um canal direto com Trump, Lula voltou a dizer que o norte-americano se comporta como "um imperador", mas afirmou que não está tentando "desafiar os EUA", como colocou a entrevistadora.

 "Não se trata de desafiar os EUA, se trata de dizer que todo país tem sua soberania, todo mundo cuida dos seus interesses e os EUA não podem impor regras a ninguém", disse.

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