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Lava Jato devolve 654 milhões de reais à Petrobras

7 dez 2017
21h36
atualizado às 22h00
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Obtido por meio de acordos de colaboração e leniência, valor é o mais alto já devolvido em investigação criminal no país, diz MPF. Desde o início da operação, total recuperado pela estatal é de 1,47 bilhão de reais.A força-tarefa da Operação Lava Jato devolveu, em cerimônia em Curitiba nesta quinta-feira (07/12), a quantia de quase 654 milhões de reais aos cofres da Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), esta é a maior devolução já registrada no Brasil dentro de uma investigação criminal.

"Petrobras foi a principal vítima de um gigantesco esquema de desvio de recursos públicos", diz presidente da estatal
"Petrobras foi a principal vítima de um gigantesco esquema de desvio de recursos públicos", diz presidente da estatal
Foto: DW / Deutsche Welle

Os procuradores informaram que os valores foram obtidos por meio de 36 acordos de colaboração premiada (143,5 milhões de reais) e cinco acordos de leniência (510,5 milhões de reais) celebrados com pessoas físicas e jurídicas no âmbito da operação.

Leia também: "Combate à corrupção não vai se esgotar com a Lava Jato"

Com o repasse milionário - o 11º já realizado para a Petrobras desde o início da Lava Jato -, chega a 1,47 bilhão de reais o total de recursos transferidos para a estatal. A primeira devolução ocorreu em maio de 2015, um pouco mais de um ano depois da deflagração da operação.

Segundo o MPF, o total de 1,47 bilhão de reais representa apenas 13% do valor total previsto para ser arrecadado com os 163 acordos de colaboração e dez acordos de leniência firmados, que é de 10,8 bilhões de reais.

A cerimônia para celebrar o repasse ocorreu no auditório do MPF na capital paranaense e teve presença do presidente da Petrobras, Pedro Parente, do procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa em Curitiba, bem como de representantes da Justiça, da Polícia Federal e da Receita Federal.

"As colaborações premiadas resgataram o dinheiro da sociedade que estava no bolso dos corruptos. [Elas] são, de longe, o melhor instrumento para investigar a corrupção e ressarcir os cofres públicos", declarou Dallagnol. "É preciso que o Judiciário preserve as colaborações premiadas para que a sociedade não fique a ver navios como no passado."

Parente, por sua vez, afirmou que a estatal é a "principal vítima de um gigantesco esquema de desvio de recursos públicos, ímpar no país e infeliz destaque no cenário mundial". "A Petrobras foi o tempo todo prejudicada por desonestidade de alguns poucos executivos em conluio com empresas igualmente desonestas e maus políticos."

O presidente da petrolífera ainda mencionou iniciativas que tentam "constranger" as investigações da Lava Jato. "Não deixemos que o tempo decorrido desde o início da operação esmaeça a percepção dessa incomensurável contribuição, especialmente quando certos atores começam a propor medidas para tentar constranger os principais protagonistas desta iniciativa", afirmou.

Em nota, o MPF informou que o montante repassado nesta quinta-feira deve ser utilizado em projetos da estatal, como a adequação da plataforma de Mexilhão, na bacia de Santos, em São Paulo. Estima-se que a obra resulte em um pagamento de 600 milhões de reais em royalties até 2023.

EK/abr/ots

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