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Kerry visita o Brasil em meio a mal-estar diplomático por espionagem

13 ago 2013
12h15
atualizado às 12h17
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O secretário de Estado americano, John Kerry, faz sua primeira visita ao Brasil no cargo de chefe da diplomacia dos Estados Unidos nesta terça-feira em meio a um mal-estar com o Brasil por causa de denúncias de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) teria espionado e-mails e telefonemas de cidadãos brasileiros. O assunto é tema obrigatório em um encontro que tem como objetivo principal preparar a visita de Estado que Dilma fará a Washington em outubro.

Pouco antes da visita de Kerry ao Brasil, uma comitiva técnica brasileira foi aos Estados Unidos para ouvir explicações de técnicos americanos. Os americanos quiseram convencer os brasileiros de que o teor dos e-mails e telefonemas não eram acessados. Tese refutada pelo jornalista Gleen Greenwald, que trouxe à tona a denúncia do ex-técnico da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) Edward Snowden.

O caso de espionagem ainda está mal resolvido entre os dois países. No mês passado, o vice-presidente americano, Joe Biden, telefonou para a presidente Dilma Rousseff a fim de prestar esclarecimento. Na ocasião, Dilma demonstrou "preocupação" e cobrou "mudanças de política".

O secretário de Estado americano chegou na noite da última segunda-feira e se encontrou com alunos bolsistas do programa Ciência Sem Fronteiras. No fim da manhã, ele chegou ao Palácio Itamaraty, onde deve conversar com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, por cerca de uma hora e meia. O secretário de Estado americano ainda será recebido pela presidente Dilma Rousseff para uma visita de cortesia.

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Fonte: Terra
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