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Homicídios no Brasil batem novo recorde e chegam a 65 mil

5 jun 2019
14h14
atualizado às 14h51
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Os homicídios bateram recorde mais uma vez em 2017 no Brasil ao atingirem mais 65.602 casos ante 62.517 em 2016, uma alta de 4,9%, segundo o Atlas da Violência produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

11/01/2019
REUTERS/Nacho Doce
11/01/2019 REUTERS/Nacho Doce
Foto: Reuters

A taxa de homicídios atingiu pela primeira vez 31,6 casos a cada 100 mil habitantes, ante 30,3 em 2016 e 25,5 em 2007. Entre 2016 e 2017, os homicídios por cem mil habitantes aumentaram em 4,2% no país e, na comparação com 2007 essa alta foi de 24%.

"Estamos diante de algo estonteante e fora do padrão mundial. Isso implica em sofrimento, dor e num custo enorme para o país seja na economia, social, atração de turistas, seja na realização de negócios", disse o coordenador do Ipea, Daniel Cerqueira.

"Estamos diante de uma tragédia humana e de uma tragédia econômica, que consome 6% do nosso PIB", acrescentou.

O Atlas do Ipea e do Fórum leva em conta basicamente os registros do SUS enquanto o Anuário da Violência, também feito pelo Fórum, leva em conta os registros policiais dos Estados.

Os dados da pesquisa apontam que o avanço de facções criminosas no Norte e Nordeste do país está por trás do aumentos dos homicídios em 2017. Em alguns Estados, o aumento na taxa de homicídios por 100 mil habitantes foi bem forte, como Ceará, onde cresceu 48,2% e no Acre, com alta de 39,9%.

"As facções tem uma estratégia de expandir seus negócios e se aproximarem de países produtores de drogas na América do Sul visando a venda para mercados consumidores de fora, como a Europa", disse a diretora executiva do Fórum, Samira Bueno.

Em 2017, o perfil das vítimas de homicídio era: homem, jovem , solteiro, negro com até 7 anos de estudo. Segundo o Atlas, 35.783 mil homicídios foram de jovens com 15 a 29 anos, uma taxa recorde de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens, mais que o dobro da média geral do país

"Temos que manter os meninos vivos com acesso a boa educação e oportunidade do trabalho. Isso impactaria na taxa de homicídios e na produtividade do Brasil", disse Cerqueira.

A pesquisa aponta ainda um incremento dos homicídios de mulheres (feminicídios) e da população LGBTI. Em 2017, foram mortas 4.936 mulheres mortas, nível recorde da pesquisa desde 2007.

Segundo o pesquisador do Ipea, há indicativos de outras pesquisas externas que apontam para a possibilidade de redução das mortes em 2018 e 2019, o que poderia estar ligado a políticas de combate a violência especialmente na região Sudeste, transição demográfica e o estatuto do desarmamento.

"O estatuto do desarmamento e políticas de controle de armas de fogo têm ajudado na redução da violência", avaliou Cerqueira, "Se não fosse o estatuto a taxa de homicídios seria 12 por cento maior", acrescentou. O governo Bolsonaro, no entanto, baixou um decreto que flexibiliza o acesso a armas no Brasil.

"Se o estatuto do desarmamento ajudou a reduzir o ritmo dos homicídios, espero que o STF casse o decreto da arma de fogo porque olhando a literatura internacional digo que há um potencial perigoso para o Brasil. Uma arma de fogo fica na sociedade por 30 ou 40 anos", argumentou o coordenador do Ipea.

De acordo com o Fórum, nos 14 anos anteriores ao estatuto do desarmamento de 2003, os homicídios cresciam a um ritmo de 5,44%ao ano, ao passo que nos 14 anos pós-estatuto a velocidade de crescimento foi de 0,85% ao ano, disse Samira.

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