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Saúde volta a divulgar dados, mas informações divergem

Após ser acusado de tentar omitir informações sobre a doença, Ministério da Saúde cria nova plataforma e promete transparência.

8 jun 2020
07h17
atualizado às 07h45
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Após a ampla repercussão negativa sobre mudanças na divulgação dos dados da covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde informou neste domingo (07/06) que voltará a publicar informações detalhadas em um novo portal de internet. A medida sinaliza um recuo do governo, após ser acusado de tentar omitir os dados sobre a doença no país.

Bolsonaro queria divulgação apenas de números diários
Bolsonaro queria divulgação apenas de números diários
Foto: DW / Deutsche Welle

O ministério emitiu dois comunicados neste fim de semana afirmando que uma nova plataforma com os números da doença no país está sendo finalizada. Na última nota, a pasta relatou problemas técnicos que teriam comprometido a divulgação e informou que passaria a divulgar os dados com a data da morte, e não no dia em que as autoridades confirmaram a covid-19 como causa do óbito. O número acumulado de casos também deverá estar disponível.

A medida significa um recuo em relação à postura do governo, que nos últimos dias mudou a forma com os dados vinham sendo divulgados, o que gerou fortes críticas de diversos setores, como entidades de saúde, políticos e membros do Judiciário, e espalhou temores de manipulação dos números por parte do governo.

Na última sexta-feira, o ministério reforçou a ênfase na divulgação do número de pessoas recuperadas e passou a relatar apenas os novos casos e mortes nas últimas 24 horas, excluindo a informação sobre o total de infecções e óbitos, como vinha sendo feito desde o início da epidemia no Brasil.

No mesmo dia, porém, o portal com informações sobre a doença saiu do ar e retornou apenas no final da tarde de sábado, já com mudanças e apenas com as informações diárias.

No último sábado, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a mudança na divulgação, afirmando que o propósito seria "evitar subnotificação e inconsistências". Na quarta-feira, o governo começou a enviar as informações às 22h, alegando que se fossem divulgados entre às 17h e 19h, como vinha ocorrendo, haveria risco de erro nas contagens.

Em um mesmo dia, duas contagens oficiais diferentes

Na noite deste domingo, o governo divulgou dados contrastantes sobre a covid-19. Um primeiro balanço divulgado em torno das 20h30 contabilizou 1.382 mortes nas últimas 24 horas, o que elevaria o total de óbitos desde o início da epidemia para 37.312. Já o número de novos casos seria 12.581 casos, totalizando 685.427.

Mas, em torno das 22h, o portal do Ministério da Saúde contabilizou apenas 525 mortes no mesmo período, o que representa uma diferença de 857 em relação à primeira divulgação, e apontou, porém, 18.912 casos. Até o momento, o órgão ainda não explicou os motivos da discrepância entre as duas contagens.

Com a polêmica em torno da divulgação dos dados, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), órgão não vinculado ao Ministério da Saúde que engloba as secretarias estaduais, criou seu próprio portal com informações sobre a doença.

O chamado Painel CONASS atualizará os dados diariamente às 17h, horário em que as secretarias enviam os dados para o Ministério da Saúde para serem incluídos no boletim nacional. Neste domingo, o portal contabilizou 1.116 mortes e 30.164 novos casos. O total no país desde o início da epidemia, segundo as secretarias, é de 36.151 óbitos e 680.456 infecções.

Em comunicado à imprensa, o presidente do CONASS e secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, afirmou que as decisões em gestão de saúde devem ser pautadas pela "ciência, verdade e informação precisa e oportuna".

 

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