França lembra vítimas e os cinco anos da tragédia do AF 447
Familiares e amigos assistiram a um ato privado realizado no memorial que lembra os 228 mortos na tragédia aérea
Os cinco anos do acidente do voo Air France 447 foram lembrados na França em uma cerimônia em memória das 228 vítimas da tragédia. O ato foi realizado no cemitério do Père-Lachaise, no leste de Paris, e reuniu familiares e amigos vindos de várias cidades da França e de outros países da Europa.
A cerimônia, que foi fechada ao público, aconteceu diante de um memorial onde estão gravados os nomes de todas as vítimas do acidente com o Airbus A330, que caiu no Oceano Atlântico na madrugada do dia 1º de junho de 2009. O voo decolou do Rio de Janeiro às 19h29 (horário de Brasília) com destino a Paris, caiu durante a travessia do Oceano. Ao todo, 154 corpos foram recuperados, sendo 50 encontrados em junho de 2009, poucos dias após o acidente, e 104 localizados e resgatados em operações de busca que vasculharam o oceano a 3.900 metros de profundidade.
O governo francês foi representado pela chefe de gabinete do secretário dos Transportes. Falando em seu nome e “em nome dos milhares de funcionários da Air France”, o presidente da companhia aérea, Fréderic Gagey, mostrou pesar pelas vítimas.
Familiares de passageiros franceses, alemães e ingleses também discursaram, assim como funcionários da Air France. Representantes das religiões cristã, judaica e muçulmana oraram em memória dos mortos na tragédia.
Um dos momentos de maior emoção aconteceu no encerramento do ato na leitura dos nomes das 228 vítimas do acidente. “É sempre a mesma coisa, no momento da lista dos passageiros, eu não controlo a emoção. É muito difícil escutar os sobrenomes e ver que às vezes três pessoas da mesma família morreram, que essas vidas foram destruídas”, disse ao Terra Keiko Marinho, uma das poucas brasileiras presentes no Père-Lachaise, onde foi homenagear o irmão Nelson, morto na queda do AF 447.
Apesar da emoção, Keiko não poupou críticas à Justiça francesa, que investiga se houve responsabilidade da Air France ou da Airbus nas causas acidente. Para ela, o relatório de contra análise realizado a pedido do construtor aéreo não pode ser levado em consideração nas investigações.
“Até agora não teve justiça”, acusou Keiko, ao afirmar que 14 fatores que foram apontados nas conclusões das autoridades da aviação civil francesa como tendo influenciado na queda do AF 447 nem foram citados no último relatório encomendado pela Justiça do País. “Poderiam fazer Justiça agora mesmo, anulando esse relatório”, disse Keiko.
De noite, outra homenagem aconteceu na igreja da Trindade, em Paris. Um coral de 300 pessoas cantou um réquiem composto em memória das vítimas pelo brasileiro Antonio Santana.
Saiba quais foram as principais razões para a queda do Airbus A330 que causou a morte de mais de 228 pessoas que estavam no voo da Air France 447
