O voo Air France 447 ainda é uma ferida aberta na vida das famílias de passageiros e tripulantes que morreram durante a travessia do Atlântico na madrugada de 1º de junho de 2009. Cinco anos depois, as famílias ainda esperam que a Justiça determine de quem foi a responsabilidade pela cadeia de erros que resultou no acidente que matou 228 pessoas.
É uma espera que está longe de terminar porque não há previsão de que o procedimento de instrução aberto pelo Tribunal de Grande Instância de Paris em 2009 seja concluído. Advogados estimam que a decisão definitiva da juíza Sylvia Zimmermann ocorra apenas no segundo semestre de 2015 ou no ano seguinte.
Nada foi feito para evitar o acidente, diz filho de vítima:
A enfermeira brasileira Keiko Marinho, que vive na França, estava assistindo o noticiário sobre um avião que havia desaparecido dos radares quando o telefone tocou. “Eu sabia que era meu pai ligando. Ele me disse que o meu irmão estava no avião”, relembrou em entrevista ao Terra. Seu irmão, Nelson Marinho Filho, voava a trabalho para África e a França seria uma conexão. “Muitas pessoas foram indenizadas, mas dinheiro nenhum pode pagar a falta de Justiça. Precisamos saber o que foi realmente que aconteceu e quem são os verdadeiros culpados”, lamenta Keiko.
Luto em aberto
Ao todo, 154 corpos foram recuperados – 50 encontrados em junho de 2009, poucos dias após o acidentes, e 104 localizados e resgatados em operações de busca que vasculharam o oceano a 3.900 metros de profundidade. A francesa Claire Durousseau integra o grupo de 74 famílias que não puderam sepultar parentes que pereceram na tragédia. Claire perdeu uma sobrinha e o marido dela. O casal tinha 26 e 27 anos, respectivamente.
“Nós ainda estamos esperando que a nossa família possa virar a página, mas é muito, muito duro. Nós não pudemos fazer o luto deles porque nós não os vimos. É como se eles não estivessem mortos e pudessem reaparecer a qualquer momento”, contou ela ao Terra.
São cinco anos de infelicidade, diz parente de vítima :
Os cinco anos não apagam a perda, diz mãe de vítima:
Saiba quais foram as principais razões para a queda do Airbus A330 que causou a morte de mais de 228 pessoas que estavam no voo da Air France 447
Imagem de arquivo mostra um modelo de avião parecido com o Airbus A330 da Air France, que caiu no oceano e matou 288 pessoas
Foto: AP
No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, aviso da Air France indicava o horário de chegada do voo 447 a Paris
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Em 1º de junho de 2009, o painel do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, mostrava o voo AF 447 como "atrasado"
Foto: Reuters
Dezenas de pessoas buscavam informações no terminal sobre o desaparecimento da aeronave
Foto: EFE
Pessoas que buscavam informações no aeroporto internacional do Rio foram levadas para uma sala reservada
Foto: EFE
Apreensão tomou conta dos familiares e amigos dos passageiros enquanto a aeronave estava desaparecida
Foto: AP
Casal chorou no aeroporto do Rio de Janeiro ao confirmar o acidente aéreo
Foto: AP
No Rio de Janeiro, familiares de passageiros foram acomodados em um hotel na Barra da Tijuca, onde recebiam informações sobre as buscas
Foto: Reuters
A Air France também demorou para divulgar a lista de passageiros do voo, uma vez que eram de diferentes nacionalidades
Foto: AP
O então vice-presidente José Alencar falou com a imprensa após se reunir com familiares de passageiros no aeroporto Tom Jobim, no Rio
Foto: AP
O então presidente da França, Nicolas Sarkozy, conversou com familiares dos passageiros em uma sala reservada no aeroporto internacional de Paris, no dia em que o avião sumiu
Foto: AFP
A companhia Air France teve trabalho para atender os familiares dos passageiros do voo 447 que buscavam informações sobre a localização da aeronave, um dia depois da decolagem
Foto: Reuters
Logo após o desaparecimento de aeronave, Pierre Henri Gorgeon, presidente da companhia Air France, afirmou que o comandante responsável pelo voo AF 447 era experiente
Foto: AP
Um dia após o desaparecimento do avião, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, trocou condolências com o presidente brasileiro da época, Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: AFP
O Senegal auxiliou a Marinha e a Aeronáutica brasileiras nas buscas pelos corpos de vítimas do acidente com o voo AF 447
Foto: AP
O helicóptero Lynx, da Marinha do Brasil, ajudou no resgate das vítimas do voo AF 447. A Força Aérea Brasileira (FAB) atuou especialmente na região de Fernando de Noronha
Foto: AP
O submarino não-tripulado Nautileat foi usado nas buscas aos destroços, em 2009, mas não conseguiu encontrar a maior parte da aeronave
Foto: AP
As primeiras buscas tiveram como objetivo localizar corpos das vítimas e encontraram destroços flutuando na água
Foto: AP
Os poucos destroços achados logo após o acidente foram expostos em 2009; a maior parte do avião só seria encontrada em 2011
Foto: AFP
Mergulhadores trabalharam para retirar do mar a asa vertical que ficava na cauda do avião, achada dias após o sumiço da aeronave
Foto: AFP
Parte da aeronave foi içada até o convés da fragata Constituição
Foto: AFP
A fragata Constituição, da Marinha Brasileira, carregou destroços da aeronave encontrados nos dias seguintes ao acidente
Foto: AFP
O Exército brasileiro, em parceria com a Marinha e a Aeronáutica, auxiliou nos resgates aos corpos das vítimas
Foto: AP
Os primeiros corpos das vítimas do acidente do voo AF 447 foram recolhidos pelas equipes de busca e chegaram a Fernando de Noronha em junho de 2009
Foto: AP
Em junho de 2009, a França enviou o navio Pourquoi Pas?, equipado com mini submarinos, para fazer buscas no fundo do mar
Foto: AP
O tenente-brigadeiro Ramon Cardoso comentou sobre a localização dos corpos das vítimas do acidente
Foto: AP
Depois de recolhidos em Fernando de Noronha e identificados, os primeiros corpos do desastre aéreo com o Airbus A330 da Air France foram sepultados
Foto: AFP
O contêiner partiu de Fernando de Noronha para a base aérea do Recife em 13 de junho de 2009, para necropsia na capital pernambucana
Foto: AP
Policiais prepararam contêiner refrigerado para a chegada de corpos em Fernando de Noronha, em junho de 2009
Foto: AP
A Marinha brasileira recuperou o estabilizador de voo do avião Airbus A330 em junho de 2009 no Oceano Atlântico
Foto: AFP
No aniversário de um ano da tragédia, cerimônias no Parc Floral e no cemitério Père Lachaise, em Paris, reuniram mais de mil pessoas
Foto: Reuters
Representantes das famílias das vítimas do voo AF 447 participaram de homenagens em Paris organizadas um ano após o acidente
Foto: Reuters
Em 2010, familiares dos 58 brasileiros que morreram a bordo do AF 447 viajaram a Paris em 2010 para participar dos atos que lembraram um ano da tragédia
Foto: Lúcia Jardim / Especial para Terra
Em abril de 2011, as equipes encontraram mais destroços do avião. A descoberta deu novo gás às buscas pelas caixas-pretas, que foram achadas em seguida
Foto: AFP
Os destroços, como a fuselagem do avião, foram encontrados a quase 4 mil m de profundidade
Foto: BEA / Divulgação
Foram extraídos 1,3 mil parâmetros eletrônicos, gravados ao longo das últimas 25 horas de funcionamento, do Flight Data Recorder (FDR), que agrega os dados eletrônicos da aeronave
Foto: BEA / Divulgação
Depois de resgatadas pelas equipes de busca, as peças do AF 447 foram colocadas em tonéis para limpeza e preservação
Foto: BEA / Divulgação
A segunda caixa-preta do Airbus A330 da Air France foi resgatada em bom estado no dia 3 de maio de 2011
Foto: EFE
As caixas-pretas foram levadas para análise em Paris e forneceram informações essenciais para a investigação
Foto: BEA / Divulgação
As caixas-pretas permitiram recuperar os registros sonoros com a voz dos pilotos e parâmetros técnicos sobre o voo logo antes do momento da queda
Foto: BEA / Divulgação
O Ile de Sein, navio especializado na instalação e manutenção de cabos submarinos, resgatou as caixas-pretas do Airbus A330 da Air France
Foto: BEA / Divulgação
Além da fuselagem, as equipes de buscas encontraram corpos presos aos destroços
Foto: AP
As caixas-pretas recuperadas no fundo do mar permitiram saber o conteúdo das conversas entre os pilotos momentos antes da queda
Foto: AP
As equipes de busca conseguiram resgatar um dos motores do Airbus A330 e o sistema que reúne os equipamentos eletrônicos do avião, que contém os computadores de bordo
Foto: BEA / Divulgação
Em outra fase de buscas, em 2011, equipes francesas retiraram do mar a parte eletrônica do Airbus
Foto: BEA / Divulgação
Recuperadas, as caixas-pretas foram lacradas e enviadas para análise em Paris em maio de 2011
Foto: BEA / Divulgação
Recuperadas, as caixas-pretas foram lacradas e enviadas para análise em Paris em maio de 2011
Foto: BEA / Divulgação
O robô Remora 6000 localizou as caixas-pretas e os corpos de vítimas do voo AF 447 em abril de 2011, quase dois anos após o acidente
Foto: BEA / Divulgação
Em 5 de dezembro de 2011 foi enterrado o mecânico de engrenagens Nelson Marinho Filho, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele foi a primeira vítima encontrada após quase dois anos a ser sepultada
Foto: Jadson Marques / Futura Press
Em 22 de dezembro de 2011, foi cremado em Contagem (MG) o corpo da advogada Júlia Chaves de Miranda Schmidt, resgatado durante a nova fase de buscas