Flávio Bolsonaro coloca condições para abrir sigilos e Lula aceita
Após desafio no debate da Band, o senador Flávio Bolsonaro condicionou a abertura de seus sigilos dos últimos 20 anos à quebra de dados de assessores de Lula, empresas de seus filhos, do Instituto Lula e de gastos oficiais do governo, como o cartão corporativo. A campanha petista aceitou todas as exigências no Tribunal Superior Eleitoral, reforçando que o presidente, Janja e seus filhos já haviam liberado seus dados, e cobrou o cumprimento mútuo das medidas antes da eleição.
O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), respondeu nesta quarta-feira a um desafio de seu adversário na disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para que abrisse seu sigilo, apresentando uma série de condições para disponibilizar os dados, termos aceitos pelo petista pouco depois.
As exigências de Flávio foram apresentadas nesta quarta ao ministro André Mendonça no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta a desafio feito por Lula no debate da TV Band, no último domingo, para que os dois abrissem seus sigilos.
Na terça-feira, Lula já havia entregado à Justiça Eleitoral documento autorizando a quebra de sigilo dele, da esposa Janja e de seus cinco filhos, além de uma empresa, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda, caso Flávio também autorizasse a quebra de seus sigilos.
Na petição encaminhada por sua equipe jurídica, Flávio pede, entre outros pontos, que Lula levante os sigilos telefônicos e telemáticos de assessores, auxiliares e seguranças, incluindo seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
O coordenador político da campanha petista, Camilo Santana, disse que o presidente vai acatar as exigências.
"De todos os condicionantes que ele (Flávio) colocou, o presidente (Lula) não se opõe a absolutamente nada. Contanto que ele cumpra que o presidente colocou no TSE", disse Camilo a jornalistas.
"Amanhã, 11 da manhã, estaremos no TSE para protocolar a resposta do presidente e é o prazo que ele (Flávio) vai ter também para estar lá pra abrir também todo o sigilo dele. Porque também não dá para deixar para depois da eleição", acrescentou Santana.
OUTRAS DEMANDAS
A petição de Flávio diz que o senador "não tem absolutamente nada a esconder e autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico relativos aos últimos 20 (vinte) anos, bem como dos familiares citados pelo candidato adversário e de todas as pessoas jurídicas das quais é sócio ou administrador".
Dentre as demandas apresentadas por Flávio para abrir seus dados, também está a exigência de que as contas das empresas dos filhos de Lula, assim como do Instituto Lula, sejam abertas, incluindo "pessoas próximas que receberam recursos do Instituto Lula e da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda." desde 2003, o que inclui a esposa de Fábio Luís Lula da Silva.
A lista de condições também pede que Lula levante os sigilos do governo relacionados a gastos com cartão corporativo da Presidência da República, a agenda da primeira-dama, o uso de helicópteros da FAB e gastos do Palácio da Alvorada, residência do presidente da República.
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