Camilo Santana diz que Lula não se opõe ao que Flávio Bolsonaro sugeriu para quebra de sigilos
Coordenador de campanha do PT estranhou o fato de senador do PL retirar da lista de sigilo aberto empresa que operou no exterior
A campanha de Lula informou ao TSE que aceita as condições propostas por Flávio Bolsonaro para a quebra recíproca de sigilos bancários e fiscais de candidatos e familiares. O petista afirmou que responderá à investida do adversário, enquanto sua equipe apontou estranheza pela exclusão da empresa Alcazar da lista de pessoas jurídicas sugerida por Flávio. O senador havia autorizado a abertura de seus dados dos últimos 20 anos, mas exigiu contrapartidas financeiras de pessoas ligadas a Lula.
BRASÍLIA - O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quarta-feira, 21, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai protocolar uma resposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a derrubada de sigilos dos candidatos à Presidência e seus familiares. Afirmou que a campanha petista "não se opõe a absolutamente nada" do que Flávio colocou.
"O candidato adversário [Flávio Bolsonaro] protocolou no TSE, depois de três dias que Lula fez o desafio para que ele pudesse abrir o seu sistema bancário, uma série de condicionantes, uma tentativa de manobra em relação ao que o presidente colocou para mostrar claramente quem é o ladrão e quem não é o ladrão nesse país. E todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer ao candidato é que não se opõe a absolutamente nada do que ele estava falando", afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quarta.
O próprio Lula, em Belo Horizonte, disse que vai "trucar" o senador Flávio no embate sobre o desafio da quebra de sigilos.
"Essa semana, pedi ao Flávio abrir o sigilo. Hoje, ele inventou um monte de mentiras e trucou seis. Eu vou meter um nove na cara dele amanhã. Ele não tem nenhuma carta boa, só mentira. Ele não tem nenhuma carta boa, eu estou com o zap, sete de copas, espada e ouro e ainda um três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco", disse Lula.
O presidente também anunciou que, a partir desta quinta-feira, 22, ele vai participar do canal de WhatsApp "Exército do Lula", que é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Atualmente, o espaço, que foi responsável pelo aumento de engajamento digital da campanha, possui 7,5 milhões de seguidores e o presidente quer a entrada de mais 2,5 milhões em 24 horas.
"Eu ganhei um celular do governador do Piauí. Eu, a partir de amanhã, vou ter um celular e vou fazer parte do Exército do Lula. Eu quero convidar todos vocês a entrar no nosso Exército para a gente chegar em 10 milhões até quinta-feira. O general Janones e o marechal Silva, que sou eu, vamos comandar a derrota do Exército adversário", disse Lula.
Já Camilo Santana disse que a campanha de Lula "estranhou" a retirada de uma empresa na sugestão apresentada por Flávio na lista de pessoas jurídicas que teriam o sigilo derrubado. O nome dessa empresa é Alcazar, de propriedade do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. O senador é apontado em investigação da Polícia Federal como suposto "usuário master" da conta dessa empresa.
"A gente vê muita estranheza que ele tirar essa empresa. Então, que a imprensa possa cobrar dele porque é que ele está tirando essa empresa. Que ele cumpra o que foi pedido", afirmou o senador.
Camilo disse que Lula protocolará às 11h desta quinta-feira a resposta no TSE em relação à manifestação de Flávio Bolsonaro. O senador afirmou que Flávio teria até amanhã às 11h para aceitar os termos do acordo de derrubada dos sigilos ou não.
Flávio Bolsnaro afirmou, em petição apresentada nesta quarta-feira ao TSE que autoriza a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. O senador condicionou, porém, a medida à divulgação de informações financeiras e registros de pessoas próximas ao presidente Lula, além de dados sobre gastos e agendas do governo federal.
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