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Fazenda que cria beagles em São Roque diz sofrer ameaças de ativistas

Propriedade nega qualquer relação com o Instituto Royal, instalado na mesma cidade, que foi invadido por manifestantes

22 out 2013
21h01
atualizado às 21h03
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Proprietários de uma fazenda que mantém uma criação de beagles há mais de 30 anos em São Roque, no interior de São Paulo, dizem receber ameaças de ativistas ligados à invasão do Instituto Royal, ocorrida na última sexta-feira no mesmo município. Segundo representantes da Fazenda Angolana, manifestantes acusam o canil de fornecer cobaias para pesquisas no instituto, que, segundo ativistas, promoveria uma série de maus-tratos.

<p>Ativistas acusam fazenda de fornecer cães ao Instituto Royal, invadido na última sexta-feira</p>
Ativistas acusam fazenda de fornecer cães ao Instituto Royal, invadido na última sexta-feira
Foto: Twitter / Reprodução

Você sabia? Por que os beagles são usados em pesquisas de medicamentos?

"Nós, da Fazenda Angolana, não temos nenhuma parceria ou qualquer vínculo com o Instituto Royal. A Fazenda Angolana repudia maus-tratos contra animais! A fazenda nunca forneceu ou fornecerá beagles para testes", diz texto disponibilizado no site oficial da propriedade, que comercializa filhotes e promove visitações.

No Facebook, a direção da fazenda se queixa de informações inverídicas divulgadas por ativistas, que ameaçariam uma invasão semelhante à ocorrida no Instituto Royal. "Nossa fazenda vem sendo alvo nas redes sociais, pessoas vão compartilhando (fotos, vídeos, inventando mentiras, etc.) nos atacando só porque estamos na mesma cidade", diz um dos posts na página da empresa.

Os proprietários dizem ter permitido a visita de ativistas à fazenda, que tiveram acesso até a "relatório de todos os nossos clientes", mas, ainda assim, estão sendo "ameaçados de tudo quanto é jeito". "Somos sérios e quem nos conhece sabe que não mandaríamos nossos beagles para testes. Não temos nada a esconder, pelo contrário, fazemos questão que seja esclarecida toda essa fraude contra a Fazenda Angolana", finaliza o texto.

Ativistas retiram animais de instituto
Ativistas invadiram, por volta das 2h de 18 de outubro de 2013, a sede do Instituto Royal, em São Roque, no interior de São Paulo, para o resgate de cães da raça beagle que seriam usados em pesquisas científicas. Mais tarde, coelhos também foram retirados do local. Cerca de 150 pessoas participaram da invasão. Ao todo, 178 cães foram retirados do instituto. O centro de pesquisas era alvo de frequentes protestos de organizações pelos direitos dos animais.

Os beagles são usados por ter menos variações genéticas, o que torna os resultados dos testes mais exatos. Apesar de os ativistas relatarem diversas irregularidades, perícia feita no Instituto Royal não constatou indícios de maus-tratos aos animais. No dia seguinte à invasão, um novo protesto terminou em confronto entre policiais militares e manifestantes e provocou a interdição da rodovia Raposo Tavares. Quatro pessoas foram detidas.

Em nota, o Instituto Royal refutou as alegações dos manifestantes. "O instituto não maltrata e nunca maltratou animais, razão pela qual nega veementemente as infundadas e levianas acusações de maltrato a seus cães. Sobre esse ponto, o instituto lamenta que alguns de seus cães, furtados na madrugada da última sexta-feira, estejam sendo abandonados", diz a nota, acrescentando que todas as atividades desenvolvidas no local são acompanhadas por órgãos de fiscalização.

Segundo o instituto, a invasão de sua sede constituiu um "ato de grave violência, com sérios prejuízos para a sociedade brasileira, pois dificulta o desenvolvimento de pesquisa científica no ramo da saúde". A invasão ao local, de acordo com a posição do Royal, provocou a perda de pesquisas e de um patrimônio genético que levou mais de dez anos para ser reunido. O instituto também informou que os animais levados durante a invasão, quando recuperados, serão recolhidos e receberão o tratamento veterinário adequado, podendo ser colocados para adoção.

Marcelo Morales, coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) - órgão responsável pela fiscalização do setor -, afirmou que nenhum animal retirado do laboratório sofria maus-tratos ou tinha mutilações. De acordo com o médico, o instituto era acompanhado pelo Concea, ligado aos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde, nos testes para medicamentos coadjuvantes na cura do câncer, além de antibióticos e fitoterápicos da flora brasileira, feitos a partir de moléculas descobertas por brasileiros. "Milhões de reais foram jogados no lixo e anos de pesquisas para o benefício dos brasileiros e dos animais também foram perdidos", disse o pesquisador.

Fonte: Terra
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