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Fachin abre julgamento sobre Moraes e admite 'período difícil' no STF

Ministro pode se tornar o primeiro membro do Supremo a ser investigado

15 set 2026 - 11h16
(atualizado às 11h38)
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Resumo
O presidente do STF, Edson Fachin, abriu o julgamento que definirá se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suposta ligação com Daniel Vorcaro, acusado de fraude financeira. Admitindo um momento difícil na corte, Fachin levou o caso inédito ao plenário após embate direto entre Moraes e André Mendonça, que retirou o sigilo de dados da PF contra o colega. Moraes nega as acusações e alega perseguição política, em meio à maior crise institucional da história do Supremo.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, abriu nesta terça-feira (15), com cerca de 40 minutos de atraso, o julgamento que vai decidir se o ministro Alexandre de Moraes, inimigo número 1 do bolsonarismo, deve ser investigado por sua suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, artífice da maior fraude financeira da história do Brasil.

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em seu pronunciamento inicial, Fachin disse ter consciência de que o tribunal atravessa um "período difícil de sua história" e precisa preservar sua "independência, colegialidade e autoridade".

"A história também olhará para este momento. Hoje não prestamos contas somente aos nossos contemporâneos, mas também aos que nos antecederam e aos que nos sucederão. Essa instituição não nos pertence e sobreviverá se soubermos estar à altura do momento", acrescentou o chefe do Judiciário.

"Não temos direito de entregar às gerações futuras um tribunal menor do que aquele que recebemos. Isso não significa ausência de divergências, muito pelo contrário. Há respeito institucional mesmo quando há discordância", salientou Fachin.

O julgamento marca o auge da pior crise na história do Supremo e o ponto alto da guerra aberta entre Moraes e o ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Há exatas duas semanas, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que aponta supostas mensagens entre Moraes e Vorcaro, dono do Banco Master e que está preso desde março sob a acusação de liderar uma fraude bilionária ao sistema financeiro.

Moraes, relator do processo que levou à condenação e prisão de Bolsonaro por golpe de Estado, reagiu pedindo uma investigação sobre a atuação de Mendonça no caso e o afastamento do colega no "caso Master".

Diante da escalada, Fachin decidiu levar ao plenário do STF a decisão se Moraes deve ser alvo de inquérito, o que seria algo inédito na história da corte. O ministro nega ter tido contatos com Vorcaro e diz ser alvo de perseguição "política" por parte dos "aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e foram condenados pelo Supremo". Além disso, denunciou uma suposta tentativa de "interferência externa" nas eleições deste ano, porém sem citar nenhum país.

A guerra no STF coincide com o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, embora ele próprio seja investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas ao ter pedido a Vorcaro mais de R$ 130 milhões para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de seu pai.

Ansa - Brasil
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