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Eleitorado brasileiro na itália cresce 17,5% em 4 anos, mas votação segue concentrada em duas cidades

A Itália tem o quarto maior eleitorado brasileiro da Europa, atrás de Portugal, Espanha e Alemanha. Neste ano, a votação será realizada em Milão e Roma. O consulado na capital lombarda reforça a organização para evitar repetir as longas filas registradas em 2022.

23 set 2026 - 07h28
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Resumo
O eleitorado brasileiro na Itália cresceu 17,5% em quatro anos, totalizando 38.829 votantes registrados. O pleito permanece concentrado em Milão e Roma, o que gera desafios logísticos e histórico de longas filas. Para contornar problemas passados, Milão mudou o local de votação e reforçou a equipe de apoio. Devido às distâncias e custos de viagem, a abstenção no país costuma superar a média externa, variando entre 60% e 68%. Politicamente, os resultados locais têm seguido o cenário nacional do Brasil.

Júlia Valente, correspondente da RFI em MIlão, 

Na Praça Navona na frente dos portões do barroco Palácio Pamphilj, sede da Embaixada do Brasil em Roma, muitos brasileiros aguardavam para poder votar em uma das diversas seções eleitorais. (Imagem de arquivo de outubro/2022)
Na Praça Navona na frente dos portões do barroco Palácio Pamphilj, sede da Embaixada do Brasil em Roma, muitos brasileiros aguardavam para poder votar em uma das diversas seções eleitorais. (Imagem de arquivo de outubro/2022)
Foto: © Gina Marques/RFI / RFI

Dos 54 mil brasileiros que residem na Itália, 38.829 estão registrados para votar no próximo dia 4 de outubro. O número representa um crescimento de 17,5% em relação a 2022, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quem vive no norte da Itália votará em Milão, enquanto os brasileiros que moram nas regiões central e sul do país votarão em Roma.

A maior parte do eleitorado brasileiro na Itália está concentrada em Milão, com 24.632 pessoas registradas. Neste ano, o Consulado-Geral do Brasil em Milão trocou o local de votação e reservou um centro de provas para receber as seções eleitorais. O espaço fica em Turro, no norte da cidade, uma área afastada do centro, mas com fácil acesso de metrô.

Na última eleição presidencial, as principais reclamações em Milão foram a desorganização e o tempo de espera. As filas começaram logo cedo, ocuparam vários metros de calçada e o tempo de espera chegou a passar de três horas. Para evitar que o problema se repita, o consulado informou que o local alugado fornecerá 36 funcionários para trabalhar na organização das filas. Além disso, 156 agentes eleitorais brasileiros foram convocados para atuar durante a votação e ajudar a manter um fluxo contínuo de eleitores.

Já em Roma, assim como nos anos anteriores, a votação será realizada na Embaixada do Brasil, localizada na Piazza Navona, um dos principais cartões-postais da capital italiana. Para facilitar o acesso, as entradas da embaixada serão divididas de acordo com as seções eleitorais. O local também costuma ficar cheio nos dias de votação, mas o número de eleitores é menor. Neste ano, 14.197 brasileiros estão registrados para votar na capital italiana.

Em eleições anteriores, Veneza e Florença também tiveram locais de votação. Desde 2022, porém, o pleito brasileiro na Itália está concentrado apenas em Milão e Roma. Por isso, um dos principais desafios é organizar uma estrutura capaz de receber um eleitorado ainda maior do que em 2022.

Abstenção na Itália fica historicamente acima da média no exterior

 A abstenção entre os eleitores brasileiros no exterior costuma ser significativamente maior do que no Brasil. Desde as eleições de 2010, o índice na Itália varia entre 60% e 68%. No primeiro turno de 2022, a abstenção média entre os eleitores brasileiros no exterior foi de 56,24%, segundo o TSE. A Itália ficou acima da média, com 67,4%.

Um dos principais motivos é a distância e o custo do deslocamento até os locais de votação. Como apenas duas cidades concentram todo o pleito na Itália, muitos eleitores precisam viajar durante horas para chegar a Milão ou Roma. Por isso, o consulado em Milão informou que espera receber menos da metade dos eleitores registrados. A estimativa é que cerca de 10 mil pessoas compareçam às urnas na cidade para o primeiro turno.

Eleitorado na Itália acompanhou resultado nacional nas últimas eleições

Nas duas últimas eleições presidenciais, o resultado na Itália acompanhou o cenário nacional. Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) foi o candidato mais votado entre os brasileiros no país, com 52,04% dos votos no primeiro turno, contra 17,89% de Fernando Haddad (PT). No segundo turno, Bolsonaro recebeu 62,08%, e Haddad, 37,92%.

Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente, com 52,02% dos votos no primeiro turno, contra 37,29% de Jair Bolsonaro (PL). No segundo turno, Lula recebeu 55,37%, e Bolsonaro, 44,63%.

Por isso, não é possível afirmar que o eleitorado brasileiro na Itália seja tradicionalmente mais alinhado à direita, à esquerda ou a um partido específico. Para saber qual será a tendência neste ano, será preciso aguardar o resultado das urnas.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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