Dilma encontra arcebispo do Rio 9 anos após polêmica com Lula
Em Roma para se encontrar com o papa Francisco e assistir ao Consistório que vai fazer cardeal o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, Dilma vai protagonizar o primeiro encontro entre um cardeal do Rio de Janeiro e um governante do PT após nove anos. Mas, ao que tudo indica, desta vez a coisa vai ser mais amena do que em 2005. Naquela oportunidade, o então cardeal arcebispo do Rio dom Eusébio Oscar Scheid não poupou o então presidente Lula. Perguntado pelos jornalistas se achava que Lula era católico, dom Eusébio não mediu palavras: "Católico? Não. Ele é caótico".
Na ocasião, dom Eusébio desembarcava em Roma para o conclave que elegeria Joseph Ratzinger como papa Bento XVI, sucessor de João Paulo II, e seus colegas cardeais tiveram que se virar para explicar a opinião sobre Lula. Isso tudo porque o ex-presidente deu declarações dizendo que estava torcendo para que Espírito Santo "iluminasse" os cardeais e elegesse um papa brasileiro.
Os assessores acabaram convencendo dom Eusébio a soltar uma nota oficial dizendo que a culpa da declaração tinha sido da imprensa, que o pressionou na chegada ao aeroporto de Roma. Na época, dom Claudio Hummes, que hoje é um braço direito do papa Francisco no Vaticano, teve que sair em defesa do "catolicismo a seu modo" do então presidente Lula.
Embora a postura de Dilma Rousseff e do Vaticano em questões como aborto e controle de natalidade sejam totalmente opostas, há um respeito maior entre as duas partes. Dilma esteve presente na primeira missa celebrada pelo Papa no ano passado, esteve na recepção ao Pontífice na Jornada Mundial da Juventude e na missa de encerramento do evento no Rio. Mas o momento agora é eleitoral, e para qualquer candidato pode ser bom uma foto ao lado de um dos homens mais populares da Terra. Dilma deve até convidar o Papa para ver a Copa do Mundo no Brasil. dom Orani já vai estar.