Corpos de 103 vítimas de voo AF 447 são identificados
A associação "Entraide et Solidarité", grupo dedicado à memória das 228 vítimas do voo da Air France que caiu no Atlântico em junho de 2009 ao fazer o trajeto Rio de Janeiro-Paris, informou nesta segunda-feira que, dos 104 corpos encontrados este ano, já foram indentificados 103.
O presidente do grupo, Robert Soulas, afirmou que as famílias das vítimas serão informadas sobre a identificação nas próximas horas, e a entrega dos corpos está prevista para as próximas duas semanas.
A associação acrescentou em comunicado que não vai fazer nenhum comentário adicional, e pediu à imprensa "que nestes momentos de lembrança e recolhimento preservem a intimidade das famílias, dolorosamente intimidadas por estes longos meses de espera".
No total, foram recuperados 104 corpos este ano, que se somam aos 50 encontrados no mar dias após a tragédia. O Tribunal de Grande Instância de Paris vai decidir sobre a realização de uma nova etapa de buscas para localizar o restante dos corpos.
A última fase desta operação terminou no início de junho, e de acordo com o Ministério de Transportes francês custou 6 milhões de euros (US$ 8,2 milhões).
As autoridades francesas decidiram retirar os corpos dos ocupantes do avião após comprovar que eram identificáveis a partir de testes de DNA, apesar de estarem havia quase dois anos em uma profundidade de cerca de 4 mil m.
O Escritório de Investigações e Análises (BEA), encarregado das pesquisas, divulgará no primeiro trimestre de 2012 seu relatório definitivo sobre as causas do acidente, mas as pesquisas indicam que um problema técnico impediu os pilotos de ter acesso a informações que evitariam a queda do avião.
O acidente do AF 447
O voo AF 447 da Air France saiu do Rio de Janeiro com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio de 2009, às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília). Às 22h33 (horário de Brasília) o voo fez o último contato via rádio. A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). Depois disso, não houve mais qualquer tipo de contato e o avião desapareceu em meio ao oceano.
Os primeiros fragmentos dos destroços foram encontrados cerca de uma semana depois pelas equipes de busca do País. Naquela ocasião, foram resgatados apenas 50 corpos, sendo 20 deles de brasileiros. As caixas-pretas da aeronave só foram achadas em maio de 2011, em uma nova fase de buscas coordenada pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA) da França, que localizou a 3,9 mil m no fundo do mar a maior parte da fuselagem do Airbus e corpos de passageiros em quantidade não informada.
Após o acidente, dados preliminares das investigações indicaram um congelamento das sondas Pitot, responsáveis pela medição da velocidade da aeronave, como principal hipótese para a causa do acidente. No final de maio de 2011, um relatório do BEA confirmou que os pilotos tiveram de lidar com indicações de velocidades incoerentes no painel da aeronave. Especialistas acreditam que a pane pode ter sido mal interpretada pelo sistema do Airbus e pela tripulação. O avião despencou a uma velocidade de 200 km/h, em uma queda que durou três minutos e meio. Em julho de 2009, a fabricante anunciou que recomendou às companhias aéreas que trocassem pelo menos dois dos três sensores - até então feitos pela francesa Thales - por equipamentos fabricados pela americana Goodrich. Na época da troca, a Thales não quis se manifestar.