Combate ao crime organizado marca reta final da campanha no Brasil, diz imprensa francesa
Três dos principais jornais franceses abordam, nesta quinta-feira (1), diferentes ângulos da reta final da campanha eleitoral no Brasil. A três dias das eleições, a imprensa francesa destaca que o combate ao crime organizado está no centro dos interesses e as violências de milícias contra candidatos de esquerda chocam a opinião pública.
A imprensa francesa destaca que o avanço do crime organizado e das milícias domina a reta final da campanha eleitoral no Brasil, ameaçando a força política de Lula. Jornais como Libération e Le Monde apontam que o aumento da violência e a infiltração de facções no poder local fragilizam o apoio ao petista até em redutos históricos, como o Nordeste e o Rio de Janeiro. Além disso, o Le Figaro ressalta o desgaste do discurso do presidente junto à classe operária, que hoje tem novas ambições.
O presidente brasileiro está na capa do jornal Libération, com a chamada "antes das eleições, Lula defende o seu legado". A correspondente do diário no Brasil, Chantal Rayes, foi até Fortaleza (CE), no nordeste, bastião do lulismo, mas onde devido ao aumento da pobreza e da criminalidade, a população pode rejeitar a reeleição do petista, diz.
Libé lembra que em seus dois primeiros mandatos, Lula transformou o nordeste graças a políticas de ajudas sociais e de investimentos em educação e insfraestrutura. Em 2022, Lula obteve mais que o dobro de votos de Jair Bolsonaro na região. Quatro anos depois, Flavio Bolsonaro pode diminuir essa diferença com uma campanha focada no combate às facções criminosas que invadiram estados nordestinos na última década.
Mesmo tom do jornal Le Monde que em sua edição datada de 1° de outubro traz uma matéria com o título: "O crime organizado domina a campanha no Brasil". O correspondente do diário no Rio de Janeiro, Raphaël Bernard, conversou com políticos que se dizem alvo de milícias fundadas "por antigos policiais, militares, bombeiros e agentes públicos controlam áreas inteiras da capital e periferia".
Segundo a matéria, a infiltração do crime organizado nas estruturas do poder local parece ter alcançado níveis sem precedentes. A matéria lembra também o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, por tentar impedir projetos imobiliários de uma milícia liderada pelos irmãos Brazão, ambos políticos do Rio de Janeiro.
Polarização da classe operária
O jornal Le Figaro aborda a polarização até mesmo dentro da classe operária, tradicional reduto da esquerda. Enviada a Minas Gerais, a correspondente do diário Eléonore Hughes visitou montadoras de veículos onde sindicalistas, diretores e empresários fazem a mesma constatação: as ambições da nova geração de trabalhadores mudaram, o que torna mais difícil a retenção da mão de obra.
Segundo a matéria, o sonho de ingressar em uma grande empresa e construir uma carreira nela perdeu parte de seu brilho. Por isso, "o discurso de Lula já não encontra a mesma ressonância de antes", conclui.
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