Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Com obras inacabadas para a COP30, Cúpula do Clima começa em Belém com foco em florestas tropicais

Começou nesta quinta-feira (6), em Belém do Pará, a Cúpula do Clima organizada pelo Brasil, às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). Durante dois dias de reuniões, com a presença de mais de 50 chefes de Estado e de governo, o Brasil vai buscar apoio internacional para a principal iniciativa do país no evento, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

6 nov 2025 - 13h18
Compartilhar
Exibir comentários

Começou nesta quinta-feira (6), em Belém do Pará, a Cúpula do Clima organizada pelo Brasil, às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). Durante dois dias de reuniões, com a presença de mais de 50 chefes de Estado e de governo, o Brasil vai buscar apoio internacional para a principal iniciativa do país no evento, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Belém

No total, 57 líderes participarão da série de reuniões presididas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco em florestas e oceanos, transição energética e os 10 anos do Acordo de Paris. O número de convidados de alto nível é menor do que o habitual nas COPs. A razão oficial evocada pelo governo brasileiro foi as questões de segurança dos chefes de Estado.

Serão dois dias de plenárias, que buscam dar um impulso político para a conferência da ONU, a partir de segunda-feira. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e da União Africana, Ali Youssouf, participam, assim como o presidente francês, Emmanuel Macron, o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, o príncipe de Gales, William, representando o rei Charles III, ou ainda o presidente da Síria, Ahmad al Sharaad, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.

Em seu discurso de abertura, o presidente Lula reconheceu as "contradições" do Brasil, em uma referência indireta ao recente anúncio da liberação de testes para a prospecção de petróleo na foz do rio Amazonas.

"Foram necessárias 28 conferências para que se reconhecesse, pela primeira vez, em Dubai, a necessidade de se afastar dos combustíveis fósseis e parar o desmatamento. Acelerar a transição energética e proteger a natureza são duas maneiras mais efetivas de combater o aquecimento global", disse o presidente.

"Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de um mapa do caminho para, de forma planejada e justa, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos", declarou Lula.

'COP da verdade', baseada nos alertas da ciência

Pouco antes, Lula havia ressaltado que essa deverá ser a "COP da verdade", com decisões baseadas nos conhecimentos científicos sobre o aumento da temperatura global - causado, principalmente, pela produção e o consumo de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão.

"É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessária para a transformá-la", afirmou. O líder defendeu o cumprimento do objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C até o fim deste século, meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, assinado há 10 anos.

Lula salientou que, graças ao tratado e às ações que dele decorreram, o planeta se afastou dos prognósticos mais pessimistas da ciência sobre a trajetória das mudanças climáticas. "Provamos que a mobilização coletiva gera resultados, mas o regime climático não está imune à ordem da soma zero, que tem prevalecido na ordem internacional. Em um cenário de insegurança e desconfiança mútua, interesses egoístas e imediatos preponderam sobre o bem comum e de longo prazo", argumentou, ao defender o fortalecimento do multilateralismo.

"O presidente Lula não pode ser, ao mesmo tempo, uma liderança pela justiça climática e representar um dos países que mais expandem a produção de petróleo no mundo", reagiu Andreas Sieber, diretor associado de Políticas e Campanhas da organização 350.org.

Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, exortou o presidente a "transformar as palavras em ações", já durante as negociações diplomáticas da conferência. "O sucesso da COP30 se dará ao transformar as palavras do presidente brasileiro em resolução final."

Apoio ao TFFF

O Brasil espera reunir apoio dos países ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira para a conservação das florestas nativas no mundo. O mecanismo inovador deseja remunerar os países pelos resultados na preservação das suas florestas tropicais, por meio de fundo de investimento global, administrado pelo Banco Mundial. A ideia central é impulsionar projetos de conservação, para que preservar seja economicamente mais vantajoso do que devastar.

A meta é levantar US$ 125 bilhões junto a governos, empresas e filantropias. Além do próprio Brasil, Noruega, Alemanha, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e China já confirmaram a intenção de participar. A iniciativa, porém, suscita um otimismo moderado na comunidade internacional, já que nem todos os países detentores de florestas possuem salvaguardas confiáveis dos projetos beneficiados e garantias de que os recursos chegarão efetivamente às comunidades locais que protegem a mata.

Além do lançamento do TFFF, um documento com outros sete pontos foi entregue pelo Brasil aos países participantes da cúpula. O texto inclui um apelo à ação sobre gestão de incêndios florestais, impulso aos biocombustíveis e aos mercados de carbono regulados, combate ao racismo ambiental, à fome e à pobreza.

Centro de convenções em obras

A três dias do início da reunião do planeta sobre o combate ao aquecimento global, com expectativa de receber cerca de 50 mil pessoas, o Centro de Convenções da Amazônia, onde acontece a Cúpula de Líderes e a COP30, ainda está em obras. As salas de reuniões estão inacabadas, operários circulam com máquinas e materiais, alguns banheiros não têm água e a internet oscila. 

Neste primeiro dia de cúpula, a maioria dos postos de alimentação não funciona.  "Nunca vi isso em outras COPs", disse uma jornalista francesa, veterana das coberturas do evento.

Ao fazer fotos das obras, a reportagem da RFI foi abordada por um segurança do evento, que disse que os registros de imagens não eram permitidos. 

"Estamos do lado de fora", diz liderança indígena

Na largada da Cúpula do Clima, indígenas protestaram contra a pouca participação das comunidades locais amazônicas nos eventos oficiais da COP30. "A COP está acontecendo na Amazônia, mas a gente está do lado de fora do centro das negociações", disse Walter Kumaruara, liderança do Baixo Tapajós.

Na primeira barreira para o acesso ao Centro de Convenções da Amazônia, um grupo realizou um ritual "gira", praticado antes de eventos importantes nos territórios indígenas.

"A gente precisa contemplar os nossos encantados, de acordo com as nossas crenças. E a gente não está vendo isso na COP. É um total desrespeito com as populações e culturas que vivem nessa Amazônia", alegou. "Só tem floresta de pé e rio correndo porque nós estamos lá, cuidando. Queremos financiamento climático direto para essas populações", apontou Kumaruara.

Organizações ambientalistas, como o Greenpeace, exortaram os líderes a enviar "um sinal claro" de que manterão a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. "Estamos à beira de pontos de inflexão climáticos e da potencial perda da Amazônia. Esta COP precisa promover a mudança urgente necessária", disse Carolina Pasquali, diretora-executiva da ONG no Brasil.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra