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Witzel acaba com incentivo que reduz letalidade policial

O governador Wilson Witzel assinou decreto que retira a redução de mortes provocadas por policiais do cálculo para pagamento de bônus

24 set 2019
12h53
atualizado às 13h28
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O governador Wilson Witzel assinou decreto que acaba com incentivo à redução de mortes provocadas por policiais. O texto foi publicado nesta terça-feira (24) no Diário Oficial do Rio, três dias após a morte de Ágatha Félix, garota de 8 anos atingida por um tiro de fuzil nas costas durante operação no Complexo do Alemão.

Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro
Foto: Wilton Junior / Estadão Conteúdo

O decreto de Witzel altera o Sistema Integrado de Metas, criado em 2009, que prevê pagamento de bônus a policiais caso consigam reduzir uma série de indicadores de criminalidade do Estado. Entre as categorias para calcular as gratificações, está a letalidade violenta.

Na versão original, esse grupo era composto por indicadores de homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e "auto de resistência" (hoje, chamado de mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado). Com a alteração de agora, no entanto, o programa passa a desconsiderar as mortes em confrontos com a polícia.

Sob a gestão de Witzel, a polícia do Rio tem batido recorde de letalidade. Em julho, 194 pessoas foram mortas em ações do Estado, o maior número desde o início da série histórica, em 1998. A contar do início do ano, o número chega a 1.075.

Mãe de Ágatha, Vanessa Francisco Sales participou nesta terça do programa Encontro, da TV Globo. "Governador, muda essa política de atirar, porque, como aconteceu com a minha família, pode acontecer com outras famílias também", disse.

Na segunda, Witzel concedeu entrevista coletiva em que lamentou a morte da criança, mas culpou usuários de drogas e defendeu as operações realizadas por sua gestão. "É indecente usar caixão como palanque", declarou.

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Estadão
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