Vídeo: GCM lança spray de pimenta em manifestantes durante desocupação de prédio no centro de SP
Ação ocorre no mesmo dia em que Prefeitura indeferiu pedido de adiamento da desocupação do Teatro de Contêiner Mungunzá
Agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) lançaram spray de pimenta em manifestantes durante ação realizada na tarde desta terça-feira, 19, para desocupação de um imóvel localizado ao lado do Teatro de Contêiner Mungunzá, na região central de São Paulo.
"O prédio, que está interditado e será demolido pela Prefeitura de São Paulo, foi invadido por um grupo de pessoas que utilizava um acesso clandestino feito a partir do terreno do teatro", afirma a Prefeitura.
"Diante da invasão e da negativa para desocupação deste imóvel, foi necessária uma intervenção por parte das forças de segurança", acrescenta a pasta. O local foi trancado depois da ação.
A ação ocorreu no mesmo dia em que a Prefeitura indeferiu um pedido de adiamento da desocupação do próprio Teatro de Contêiner, gerido pela Companhia Mungunzá de Teatro. O grupo havia solicitado prorrogação de 15 para 120 dias no prazo, que começou a contar no último dia 6.
Segundo ofício desta terça-feira obtido pelo Estadão, a Prefeitura afirmou, entre outros pontos, que "a alegação de inviabilidade do prazo não se sustenta, uma vez que a companhia foi notificada formalmente desde agosto de 2024".
O espaço, deste modo, deve ser desocupado até quinta-feira, 21, conforme o documento, assinado pelo subprefeito da Sé, coronel Marcelo Salles.
Com o teatro ainda sem um destino definido, a Companhia Mungunzá convocou, por meio das redes sociais, uma assembleia para a noite desta terça e prevê realizar uma manifestação na manhã desta quarta-feira, 20.
Vídeos obtidos pelo Estadão mostram que algumas pessoas foram retiradas de lá por volta das 17h. Um homem chega a ser arremessado no chão em meio a protestos. "Teatro de Contêiner fica", repetem os manifestantes.
O espaço alvo da ação desta terça fica em quarteirão entre as ruas dos Protestantes, dos Gusmões e General Couto de Magalhães, perto de área antes ocupada pelo fluxo de usuários de drogas da Cracolândia. Ele seria usado por integrantes do teatro como uma espécie de depósito.
Entenda a desocupação do teatro
O prefeito Ricardo Nunes afirma na ordem de despejo que o terreno será usado como um "hub de moradia social". Os artistas, no entanto, alegam que o local contribui para a cultura e para a formação social da população e que outros prédios da região que foram reivindicados com o mesmo argumento não tiveram esse destino.
Há alguns meses, o teatro recebeu o apoio de mais de 40 teatros de São Paulo e 60 coletivos. Em carta, eles pedem que o espaço em Santa Ifigênia seja mantido.
No Instagram, o Teatro de Contêiner Mungunzá falou sobre a manifestação: "Fechar o Teatro de Contêiner é inadmissível. O poder público deveria estimular os teatros, jamais despejar um espaço cultural vivo e pulsante", diz. O teatro ocupa o espaço desde 2016.
Na notificação judicial que ordena o despejo do teatro, sob a justificativa da construção de um conjunto habitacional no local, a Prefeitura afirma entender que "a área onde está situada atualmente o Teatro de Contêiner é um ponto estratégico para que seja instrumentalizado um novo programa habitacional municipal".
A Prefeitura alega que "a área será destinada à construção de moradia popular, dentro de um programa que vem recuperando todo o tecido urbano da cidade e que reforça o atendimento de famílias cadastradas em programas sociais desta administração."