USP inicia demolição de muro que separa campus da Marginal Pinheiros
Em trecho de 990 metros será dada continuidade à instalação de corredor verde; placas de vidro já vinham sendo substituídas há três anos
A Universidade de São Paulo (USP) iniciou, nesta segunda-feira, 7, a demolição do trecho do muro que separa a Cidade Universitária da Marginal Pinheiros que ainda está em alvenaria. Nesse trecho, de 990 metros, será dada continuidade à instalação do corredor verde multifuncional, que já ocupa mais de um quilômetro da raia olímpica da USP.
O custo da retirada do muro de alvenaria foi de R$ 500 mil, valor que contempla os serviços de movimentação de solo, destinação adequada de resíduos de construção civil e adequações na rede de drenagem do trecho onde será realizado o paisagismo.
O objetivo da troca do trecho em alvenaria do muro é servir como um corredor verde para a fauna — especialmente pássaros —, colaborar com a retenção de carbono e gerar melhora no paisagismo.
Nos últimos anos, o trecho em vidro do muro já vinha sendo substituído pelo corredor verde após várias placas quebrarem. A instalação dos vidros, em 2018, foi orçada em R$ 20 milhões, mas não onerou os cofres da USP porque foi custeada por empresas.
Agora, a primeira etapa do projeto de paisagismo do novo projeto para o muro, já concluída, teve um custo de R$ 2,7 milhões e foi finalizada em junho de 2024.
A segunda fase, que contempla a finalização do paisagismo, encontra-se atualmente em processo de licitação.
Na sequência da demolição do muro, será feito o aterro do terreno e, posteriormente, a implantação do paisagismo, conforme diretrizes estabelecidas.
A ação foi autorizada após suspensão de uma liminar que impedia a derrubada, com base em um acordo firmado entre o Ministério Público e a USP. Entre as medidas ambientais acordadas já foi concluída a instalação de tramas de bambu ao longo dos trechos restantes com vidro e feito o plantio de trepadeiras junto às estruturas. Essas plantas têm como função prevenir colisões das aves.
Os trabalhos de demolição do muro de alvenaria ocorrerão entre 23h e 4h, com o objetivo de evitar impactos no trânsito da via. A previsão é que a intervenção seja concluída até o dia 13 de julho.
Após a derrubada do muro, será iniciada a recuperação da área com o plantio de espécies que retomam o passado natural da várzea do rio Pinheiros. "O resultado será uma faixa de vegetação junto à Marginal Pinheiros que vai oferecer vários serviços socioambientais ao município de São Paulo, como retenção de carbono, e servir como um corredor para a fauna, em especial para pássaros", diz o vice-prefeito do campus Capital-Butantã, Wagner Costa Ribeiro.
"Terá, ainda, um efeito paisagístico junto a uma das vias de trânsito mais intenso da cidade, ao oferecer um contraste em tons de verde aos transeuntes", completa.
Mudanças
Esta não é a primeira mudança no muro que divide o terreno universitário e a Marginal Pinheiros. Nos últimos anos, algumas soluções foram pensadas para o trecho que cerca a raia olímpica da USP, conjunto esportivo voltado à pràtica do remo e da canoagem.
Em 2018, o muro começou a ser substituído por painéis de vidro, após queixas de usuários em relação ao aumento do ruído e de monóxido de carbono na raia. O projeto tinha o objetivo de tornar a universidade mais visível aos que passavam pela Marginal.
Porém, a implantação dos vidros enfrentou dificuldades, com dezenas de placas quebradas pelas trepidações de uma das vias mais movimentadas da capital e colisão de aves.
Em 2022, a área começou a ganhar novos contornos com a criação de um corredor verde multifuncional, que ocupa tanto o lado externo na Marginal Pinheiros quanto a parte interna da raia. Trata-se de um longo jardim formado por espécies nativas dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado brasileiro.
A instalação de gradis nas lacunas da parte instalada do muro de vidro e o plantio de árvores e plantas trepadeiras foram finalizados em dezembro de 2023. Agora, o jardim passa por manutenção, controle de pragas e adubação.
O projeto do corredor verde prevê que as placas de vidro já instaladas sejam mantidas e que a substituição por gradis seja feita à medida que o vidro quebre. A substituição por plantas serve ainda como uma proteção extra para prevenir a colisão de aves com os vidros.