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Tragédia em Santa Maria

Boate Kiss foi multada 6 vezes e abriu sem alvará, diz prefeitura

Alvará de localização só foi obtido 9 meses depois da inauguração irregular

21 fev 2013 - 17h37
(atualizado às 17h51)
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<p>Oficialmente, a boate estava em condições para ser inaugurada no dia 14 de abril de 2010, nove meses depois da abertura irregular</p>
Oficialmente, a boate estava em condições para ser inaugurada no dia 14 de abril de 2010, nove meses depois da abertura irregular
Foto: Wesley Santos / Futura Press

Quando foi inaugurada em julho de 2009 em Santa Maria (RS), a Boate Kiss possuía todos os alvarás para funcionamento, exceto o de localização, o que, pela lei, proibia que ela promovesse qualquer festa. Mesmo assim, o estabelecimento abriu as portas e acabou sendo multado pela prefeitura da cidade seis vezes nos meses seguintes, totalizando R$ 15 mil em punições. Por fim, um embargo foi redigido exigindo o fechamento da boate, mas o proprietário na época encaminhou os documentos que restavam e conseguiu regularizar a situação. Segundo o secretário de Controle e Mobilidade Urbana de Santa Maria, Miguel Pasini, o Poder Público cumpriu a sua parte.

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"Foram emitidas seis multas (R$ 15 mil) e um embargo para o fechamento da casa noturna, a prefeitura sempre combateu as irregularidades. O proprietário antigo confirmou que abria o local por conta própria. Para fechar, é preciso ter a ordem judicial, e quando o pedido foi encaminhado, ele obteve os documentos e se regularizou", afirmou Pasini. 

Oficialmente, a boate estava em condições para ser inaugurada no dia 14 de abril de 2010, nove meses depois da abertura irregular. A procuradora-geral do município, Anny Desconzi, desconhece o fato e salientou que vai investigá-lo somente a pedido da Polícia Civil. "Para mim, a Kiss existe desde que ganhou o alvará de localização, em abril de 2010. (...) Eu não tenho nos registros os dados anteriores. Uma instituição só abre quando está com tudo em dia. Se a polícia pedir, vamos procurar saber, mas eu desconheço", disse ela.

O número de internados vítimas do incêndio na boate Kiss diminuiu de 33 para 26. Destes, apenas quatro estão em ventilação mecânica. O levantamento feito no final de quarta-feira foi divulgado pelo Ministério da Saúde. Dos 26 feridos, cinco estão em hospitais de Santa Maria. Outros 21 se encontram internados em Porto Alegre. 

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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