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SP: homens com toucas ninja atacam militantes de partidos na Paulista

20 jun 2013
17h54
atualizado às 20h08
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Manifestantes contrários à exibição de bandeiras de partidos políticos e militantes de movimentos sociais e siglas entraram em confronto em São Paulo em protesto na noite desta quinta-feira. Um grupo de homens usando toucas ninja para esconder o rosto atacou militantes com socos e  pontapés e provocou correria. Pelo menos um manifestante foi visto sangrando na cabeça depois do confronto.

<p>A manifestação está dividida em dois grupos, que se envolveram em uma briga ao se encontrarem</p>
A manifestação está dividida em dois grupos, que se envolveram em uma briga ao se encontrarem
Foto: Fernando Borges / Terra

O grupo "vermelho", identificado assim pela cor das roupas, estava sendo protegido por um cordão humano feito pelos próprios militantes, uma vez que os demais populares são contrários a essas demonstrações políticas. Os agressores tentaram furar o bloqueio e dissolver o bloco. O grupo conseguiu tomar algumas bandeiras e queimá-las.

Dos símbolos em camisetas e bandeiras no grupo "vermelho", pode-se identificar a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento Sem-Terra (MST) e o Partido dos Trabalhadores (PT), sendo os militantes do PT o "alvo" principal da contrariedade dos "apolíticos".

Mais cedo, houve um princípio de tumulto na avenida Paulista quando a manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), se encontrou com militantes de partidos. Enquanto ato do MPL seguia pela via no sentido Paraíso, militantes de esquerda e de sindicato caminhavam no sentido contrário.

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Alguns manifestantes iniciaram uma briga, que foi separada pelos próprios companheiros. Ambos os lados se envolveram em uma discussão. “Isso não é democracia, democracia é os dois lados”, diziam os militantes de partidos, enquanto os apartidários respondiam: “Abaixa a bandeira”. A polícia não chegou a intervir na confusão, que durou cerca de 10 minutos. Em seguida, as marchas continuaram, separadas.

O professor da rede pública João Victor Pavesi de Oliveira, 27 anos, integrante do diretório municipal do Psol, participou de todas as manifestações em São Paulo e admitiu que o movimento contra os partidos está “assustando”. “Ganhou uma proporção que ninguém esperava, setores de direita aderiram às manifestações e começaram um novo movimento”, disse.

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“Existe o receio, sim (das pessoas que estão com camisetas de partidos serem agredidas) . Nós temos o medo de se criar uma nova “Maria Antonia”, afirmou, referindo-se ao confronto de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Mackenzie em 1968 na rua Maria Antônia.

João Victor veio todos os dias aos protestos com a camiseta do Psol, mas, depois da hostilidade com que militantes de partidos de esquerda foram recebidos na segunda-feira, o movimento se reuniu para tomar medidas para se proteger. Nesta quinta-feira, todos estão andando em grupos, com o objetivo de defender um ao outro.

Segundo o professor, as manifestações estão plurais, mas ainda segmentadas: de um lado os movimentos de esquerda e, do outro, os de direita. “Compreendemos o sentimento de desgoto das pessoas em relação aos partidos, porque houve uma repressão às pessoas, mas vamos continuar nas manifestações porque desde o começo levantamos a bandeira do transporte para todos”, afirmou.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, prédios, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Mais de 250 pessoas foram presas durante as manifestações, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. A mobilização ganhou força a partir do dia 13 de junho , quando o protesto foi marcado pela repressão opressiva. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. No dia 19 de junho, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciaram a redução dos preços das passagens de ônibus, metrô e trens metropolitanos para R$ 3. O preço da integração também retornou para o valor de R$ 4,65 depois de ter sido reajustado para R$ 5.

Terra

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