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SP: estiagem 'seca' rio e Campinas adota restrição a uso de água

12 fev 2014 21h47
| atualizado às 22h15
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O rio Atibaia, responsável pelo abastecimento de 95% da cidade de Campinas, está praticamente seco e já mostra o seu fundo. Em algumas partes do seu leito é possível atravessá-lo caminhando entre as pedras e bancos de areia. Na ponte da praça Beira Rio, no distrito de Sousas, a situação é tão caótica que nem os barcos dos pescadores e praticantes da canoagem podem navegar. 

"Já morreram 14 patos que vivem por aqui", lamentou o instrutor de remo da Associação de Remo do Distrito de Sousas, Antonio Carlos dos Santos. "Com a chuva o rio sobe, corre, mas com a seca de quase um mês ele está parado e sujo".

Com a margem do rio bem abaixo que o normal, o instrutor disse que encontrou muito lixo levado ao rio e depositado em suas margens. Além de pneus velhos, sapatos, restos de roupa, garrafas, latas, caixas e outros itens, ele encontrou alguns objetos que, após serem lavados, terão alguma utilidade. Em uma caixa ele juntou o saldo de um passeio pelos bancos de areia: um grifo, alicate, chaves de fenda, torneira, parafusos, entre outros.

Desperdício pode render multa
Por causa da situação do rio Atibaia, a prefeitura de Campinas alterou um decreto municipal instituindo o período de estiagem entre fevereiro e agosto, ante a época de julho a agosto, e decretou a aplicação de advertência e multa para o morador que esbanjar água tratada. O decreto passou a valer em 3 de fevereiro. Quem for flagrado lavando calçadas, carros e locais públicos será advertido e, se reincidir, será multado em três vezes o valor de sua ultima conta de água.

A fiscalização compete a Sociedade de Abastecimento de água e Saneamento S/A (Sanasa) e o morador na cidade pode denunciar o mau uso de água. Por causa das altas temperaturas e da estiagem, a Sanasa constatou o aumento de consumo de água em Campinas em janeiro na ordem de mais de 754,4 milhões de litros; o equivalente a 300 piscinas olímpicas.

Com o crescente número de denúncias contra o mau uso de água tratada, a Sanasa ampliou seus canais de comunicação. A autarquia dotou seis veículos para fiscalização e 221 fiscais para verificação desde vazamentos até o uso inadequado de água por moradores, comércio e empresas.

Desde que começou a restrição do uso de água, foram recebidos 463 ligações; uma média de seis ligações em menos de 10 dias. Para o presidente da Sanasa,  Arly de Lara Romêo, a cultura de fazer um bom uso da água chegou até a população. "A população está consciente da situação de nossos mananciais". Segundo a Sanasa, hoje o rio Atibaia está com uma vazão de 5 metros cúbicos quando o normal seria 35 metros cúbicos e capacitação continua em 4,1 metros cúbicos.

O rio Atibaia se forma por duas represas do Sistema Cantareira: o Atibainha e a Cachoeira. Depois de passar por Campinas ele chega a Americana e, ao se juntar ao rio Jaguari e o io Camanducaia, vai formar a do rio Piracicaba que, por sua vez, irá se encontrar com o Tietê.

Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa é a pior estiagem dos últimos 30 anos. 

Fonte: Especial para Terra
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