Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Filha de PM morta por tenente-coronel ainda aguarda pagamento de pensão

Criança de sete anos deve começar a receber o benefício de cerca de 1 salário mínimo e meio um mês após pedido

5 abr 2026 - 11h27
(atualizado às 13h05)
Compartilhar
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta em 18 de fevereiro com um tiro na cabeça disparado pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi morta em 18 de fevereiro com um tiro na cabeça disparado pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53
Foto: Reprodução / Estadão

A filha de sete anos da policial militar Gisele Alves Santana, vítima de feminicídio, ainda aguarda o pagamento da pensão prevista em lei para dependentes menores de 18 anos de servidores falecidos. 

De acordo com a CNN Brasil, a família solicitou o benefício ao Instituto São Paulo Previdência (SPPrev) no último dia 6 de março, com base na Lei Complementar 1.354/2020, que regula a previdência dos servidores públicos estaduais. 

Pelas regras, a pensão deve ser paga de acordo com o tempo de contribuição da mãe à corporação e é garantida até ela completar a maioridade. Isso deve garantir 1 salário mínimo e meio para a menina, cerca de R$ 2.431,00.

O advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, criticou a diferença de tratamento entre os casos de Gisele e do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso e réu pela morte da esposa. 

Enquanto o pedido de pensão da criança ainda aguardava andamento, o tenente-coronel conseguiu a aposentadoria integral em menos de uma semana com salário de R$ 28,9 mil brutos.

"Não há explicação para essa discrepância no caso da filha da Gisele”, disse o advogado ao afirmar que o processo foi analisado e o primeiro pagamento será efetuado na folha de pagamento na próxima quarta-feira, 8, um mês após o pedido. 

Relembre o caso

Gisele morreu com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento em que ela vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Só o casal estava em casa.

Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

Fonte: Portal Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra