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Secretaria diz que 62% dos alunos precisam de reforço no rio

1 abr 2009 03h41
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A guerra urbana que atravessa os muros das escolas públicas do Rio de Janeiro está afetando diretamente o desempenho dos estudantes cariocas. Resultado do provão aplicado a 460.453 alunos do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental, divulgado nessa terça-feira pela Secretaria Municipal de Educação, mostra que os piores desempenhos em Português e Matemática foram registrados nas unidades situadas em áreas violentas.

O exame detectou que 28.879 alunos são analfabetos funcionais e que mais da metade do total ¿ 286.571 alunos, ou 62% ¿ vai precisar de reforço escolar por ter tirado conceitos R (Regular) e I (Insuficiente) em Português e Matemática a partir deste mês.

O maior percentual (17,13%) de analfabetos funcionais está nas escolas de Santa Cruz (10ª CRE), bairro da Zona Oeste, que concentra 17 das 150 escolas localizadas em áreas de risco. São crianças que não conseguem compreender o que acabaram de ler. "A violência afeta a aprendizagem, tanto gerando bloqueios cognitivos quanto não atraindo profissionais para as escolas", avaliou a secretária de Educação, Cláudia Costin. Segundo ela, as melhores avaliações saíram de escolas da Zona Sul e da Tijuca (2ª CRE).

Nessas regiões, 10,51% dos estudantes terão que ser alfabetizados. ¿Há mais professores que preferem lecionar perto de suas casas. Além disso, os pais têm mais acesso à educação, o que influi no aprendizado dos filhos¿, acrescenta Costin. O prefeito Eduardo Paes também ficou surpreso com o resultado: "é assustador. Mas é bom saber que já temos o diagnóstico e vamos dar o remédio, que será o reforço para sanar o problema".

Atualmente, 711.692 alunos estudam em escolas da prefeitura. Aos 12 anos, Pedro Paulo de Oliveira Farão, aluno do 8º ano do Colégio Estadual José Pedro Varela, reconhece que tem dificuldades em Matemática e seu pai, inclusive, já contratou professora particular para ajudá-lo com os números. "É a pior matéria. Tenho dificuldades em aprender principalmente equações e raiz. Espero que com as aulas particulares e o reforço aqui na escola eu consiga entender", disse ele.

Se o fantasma do analfabetismo pode ser enfim exorcizado com aulas de reforço, a secretaria não encontrou solução definitiva para problemas como a defasagem idade-série. São 10.500 estudantes com mais de dois anos de atraso em relação à série em que estão matriculados. Costin admitiu que não há perspectivas para enfrentar a questão ainda este ano. As amigas Diana Gonçalves da Silva e Suzana Henrique Barbosa, ambas com 14 anos e no 6º ano da mesma escola, estão atrasadas. "Foi muito difícil. A maioria tirou R e I", conta Diana, que está repetindo o 6º ano. Para Suzana, o reforço é uma boa ideia. "Não temos dinheiro para pagar escola nem aula particular. O reforço é melhor do que ficar em casa à toa", reconhece a estudante.

Os 1.145 novos professores da Rede Municipal tomaram posse ontem e devem entrar em sala de aula já no fim do mês. Somada à primeira convocação, de 645 professores, no início do ano, o déficit diminui em 25%.FORÇA PARA PORTUGUÊSDos convocados, 230 são de Português, 200 de Matemática, 200 de Ciências, 100 para História e 100 para Geografia. A secretaria convocou também 315 docentes para as primeiras séries do Ensino Fundamental.CONVOCAÇÃO SÓ NO 2º SEMESTREA falta de 5.200 docentes deve ser remediada com a oferta de dupla regência para os professores da rede. A secretária prometeu que pedirá autorização ao prefeito para novas convocações no segundo semestre.Um só vestibular para todo o País este anoA vida de quem vai fazer vestibular este ano pode ficar bem mais fácil. Segundo o Ministério da Educação, o modelo de prova única para todas as universidades federais do País deve entrar em vigor já no exame para 2010. A ideia é fazer um novo Enem, nos moldes do que é ocorre nos EUA: em dois dias os candidatos fazem quatro provas e uma redação e concorrem, ao mesmo tempo, para vagas de todo o País. Seriam testes de Linguagens e Códigos, Matemática, Ciências Naturais e Humanas, cada um com 50 questões, num total de 200.É possível que a nova prova seja aplicada duas vezes ao ano, mas a adesão dependerá de cada universidade. ¿O novo modelo de vestibular reorganiza o Ensino Médio, que se tornará mais leve e inteligente. A maneira como você pergunta em uma prova faz muita diferença¿, explica o ministro Fernando Haddad.

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