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RS: 3 ônibus são depredados durante manifestações na capital

30 ago 2013
17h59
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Três ônibus da empresa Carris foram atingidos por manifestantes durante o Dia Nacional de Manifestações e Luta nesta sexta-feira em Porto Alegre (RS). Um passageiro ficou ferido e foi encaminhado ao hospital.

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O primeiro ônibus atingido foi da linha T4, alvo de um tijolo
Foto: Carris / Divulgação

O primeiro ônibus atingido foi da linha T4, alvo de um tijolo que quebrou uma das janelas do veículo e atingiu um passageiro que estava sentado próxima à janela. O incidente aconteceu na altura da rua Dom Diogo de Souza, próximo à avenida Assis Brasil. O passageiro foi encaminhado para o hospital Cristo Redentor e já foi liberado.

Outro coletivo foi atingido por uma pedra, quando fazia o trajeto regular da linha T6, sentido norte/sul, na avenida Baltazar de Oliveira Garcia. Segundo o motorista, o ataque aconteceu no momento do fechamento das portas do veículo. O vidro da janela lateral direita, próxima ao cobrador, foi quebrado.

No trajeto da mesma linha, mais um ônibus foi atingido na lateral por uma pedra, na rua Guadalajara, bairro Jardim Itu Sabará. Segundo a Carris, a lataria do veículo foi furada pelo objeto.

A empresa informou que o serviço da Carris já está sendo normalizado e, até o horário de pico, no fim da tarde, 100% dos ônibus estarão nas ruas. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), por volta das 16h30, a estimativa era de que 65% da frota de coletivos circulava pela capital.

As linhas de lotação e a frota de táxi atendem normalmente hoje e a EPTC autorizou que os passageiros circulem em pé nas lotações. Os manifestantes bloquearam vias no centro da cidade, como as avenidas Mauá e Castelo Branco, na entrada de Porto Alegre; a rua da Conceição, no cruzamento com a Júlio de Castilhos; e um trecho da avenida Sertório, próximo à rua Várzea. A alça de acesso do viaduto da rodoviária, no sentido interior-capital, também foi interditada. O trânsito nas vias interrompidas foi liberado por volta das 8h.

O Dia Nacional de Manifestações e Luta prevê durante todo o dia uma série de protestos organizados pelas principais centrais do Brasil em pelo menos 24 Estados e no Distrito Federal. A Força Sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) declararam apoio às manifestações, que têm como principais causas a melhoria de qualidade e redução de custos dos transportes coletivos, a garantia de investimento de 10% do produto interno bruto (PIB) na educação, o fim do fator previdenciário e a derrubada do projeto de lei (PL) 4330, que pretende regular o trabalho terceirizado.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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