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RJ: manifestante teria sido baleado em frente à Alerj

Cleberson de Oliveira, 21 anos, foi atingido no braço direito. Ainda não se sabe de onde partiu o tiro que feriu o manifestante

17 jun 2013
22h48
atualizado às 23h56
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Um manifestante teria sido ferido com um tiro durante protesto em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na noite desta segunda-feira. Cleberson de Oliveira, 21 anos, foi atingido no braço direito e socorrido inicialmente por médicos voluntários da Universidade Federal Fluminense (UFF) que acompanham a manifestação. A vítima garante que foi baleada, mas os médicos suspeitam que o ferimento possa ter sido causado por estilhaços de vidro.

<p>Cercados por manifestantes, policiais militares negociam saída de dentro da Assembleia Legislativa do Rio</p>
Cercados por manifestantes, policiais militares negociam saída de dentro da Assembleia Legislativa do Rio
Foto: Marcelo Fonseca / Brazil Photo Press

"Estava na escadaria da Alerj, do lado esquerdo, quando fui atingido. Não consegui ver se foi policial ou manifestante. Só senti a dor e saí correndo", disse Cleberson. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encaminhou o jovem para o hospital Souza Aguiar. 

O estudante de Medicina da UFF Juan Médici, que prestou os primeiros socorros à vítima, disse acreditar que Cleberson não foi baleado. "Pelo que eu vi do ferimento, foi estilhaço de vidro. Se tivesse sido baleado, provavelmente teria fraturado o braço dele", afirmou.

Os manifestantes entraram em confronto com policiais em frente à Alerj. No fim da noite, um grupo conseguiu invadir o prédio da Assembleia, quebrou janelas, ateou fogo na porta e tirou cadeiras de dentro do edifício.

Policiais presos dentro da Alerj
Dezenas de PMs e funcionários ficaram presos dentro da Alerj, cercada por manifestantes. Eles negociaram com os que protestavam para sair com os policiais que ficaram feridos durante a invasão. Oficialmente, cinco estão machucados, mas havia informações de que até 20 PMs estariam feridos. Por volta das 23h15, a Tropa de Choque chegou ao local e usou bombas de gás lacrimogênio. Às 23h45, os policiais deixaram a Alerj.

Funcionários dizem que havia mais de 100 pessoas dentro do prédio. "Ficamos numa sala no segundo andar, presos. Eles jogavam muitas pedras do lado de fora. Está tudo arrebentado, janelas, portas. Algumas pessoas entraram em pânico. Tinham três PMs feridos com a gente. Nunca imaginei que pudesse acontecer isso. Eles quebraram tudo, é uma pena", disse o supervisor dos ascensoristas, Robert Rodrigues.

Um dos PMs feridos foi identificado como sargento Washington, que está machucado no olho, vítima de um rojão. Outros policiais foram atingidos por pedradas. Durante a confusão, PMs deram tiros de fuzil para o alto para tentar dispersar a multidão.

Policiais à paisana estavam do lado de fora, circulando entre os manifestantes. Um deles foi até um orelhão e dizia para um interlocutor. "É melhor chamar mais gente, porque vai dar merda". 

Numa das portas laterais, os manifestantes tinham contato com os PMs que estavam dentro do prédio. Muitos hostilizavam os policiais, e diziam que iriam invadir a Alerj. Outros seguiam jogando pedras no edifício e em prédios próximos. 

No início do confronto, policiais militares tentaram dispersar os manifestantes que se aproximaram da Alerj, e estes reagiram com fogos de artifício e jogando pedras. A polícia então usou balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Houve tumulto e correria na região da Assembleia, e alguns manifestantes quebraram vidraças de lojas e agências bancárias, enquanto outros picharam as pilastras do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo estadual.

Uma pessoa foi detida, acusada de invadir um carro oficial da Assembleia. O manifestante foi levado para a 5ª Delegacia de Polícia.

Os manifestantes começaram a chegar ao local por volta das 19h50. A polícia montou dois cordões de isolamento com a ajuda de grades para impedir que os ativistas tivessem acesso à escadaria do prédio. O objetivo era evitar que as pichações ao prédio registradas nos protestos de quinta-feira se repetissem. Segundo a Polícia Militar, a tropa de choque foi chamada após uma tentativa de arrombamento. A polícia tentou impedir a entrada dos manifestantes com balas de borracha, e muitas pessoas tentam fugir do local. 

Fonte: Terra
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