Rio: presidente da Viradouro renuncia
Passados mais de três meses após o rebaixamento da Viradouro, o presidente da escola Marco Lira renunciou ,nessa quinta-feira, dando início ao fim da agonia que a vermelho-e-branco de Niterói estava vivendo. Conforme já era esperado, o dirigente apresentou a carta de renúncia durante uma reunião com representantes dos conselhos deliberativo e fiscal na quadra. Quem assume o cargo provisoriamente é o presidente do conselho deliberativo, Ferreira.
O mesmo terá que convocar eleições dentro de três meses, como prevê o estatuto. Na reunião também foi anunciada a criação de uma comissão de conselheiros formada por oito integrantes que vai fazer um levantamento dos bens deixados por Lira na quadra e no barracão.
A Viradouro vive sua pior crise em 20 anos, tempo que ficou no Grupo Especial. Obrigada a sair da Cidade do Samba, conforme previsto no regulamento da Liesa, a escola não tem sequer dinheiro para fazer a mudança. Entre os profissionais da agremiação, ninguém sabe ao certo quem está mantido para o Carnaval 2011. Recentemente, a escola teve duas grandes baixas: o coreógrafo Sérgio Lobato e o puxador Wander Pires saíram fazendo críticas à diretoria.
Futuro indefinido
Nos bastidores, comenta-se que Júnior Guimarães, filho do ex-presidente da Liesa Capitão Guimarães, seria um dos candidatos interessados em assumir a presidência. Entre integrantes da comunidade, o nome de Luma de Oliveira, que chegou a lançar chapa no último pleito, ocorrido há dois anos, é cotado. A família do bicheiro José Carlos Monassa Bessil, ex-patrono da escola falecido em 2005, também poderia indicar um nome.
Sem prestígio na Liesa e na Lesga
Nas reuniões da Liesa, Marco Lira não era visto há meses. Integrantes da diretoria da entidade não escondiam mais a insatisfação com o fato de nenhum representante da vermelho-e-branco frequentar os encontros. A gota d´água aconteceu em abril, quando a escola não enviou ninguém para receber os cadernos com as justificativas dos jurados.
Semanas depois houve uma saia justa na Lesga. A entidade do Grupo de Acesso se reuniu, mas não contou com a presença de nenhum representante da Viradouro. Desde o Carnaval, a Viradouro ainda não entregou documentos necessários na sede da Lesga. Lira assumiu o comando da escola em 2005 após a morte de José Carlos Monassa.
Em 2008 foi reeleito e seu mandato acabaria em 2012. Atualmente, a escola vinha acumulando muitas dívidas junto aos fornecedores. O resultado foi o péssimo rendimento na Avenida, que culminou no rebaixamento para o Grupo de Acesso A.
Bem antes disso, o dirigente tomou decisões polêmicas como a demissão dos intérpretes Dominguinhos do Estácio, Nêgo e do carnavalesco Paulo Barros. Marco Lira ainda foi alvo de um atentado no dia 11 de janeiro de 2008. Na época, disse que tinha sido vítima de uma tentativa de assalto.