Quem é Alessandra Moja, presa por suspeita de representar o PCC na Favela do Moinho
Segundo o MP, ela transmitia as informações para o irmão, Leo do Moinho, apontado como chefe do tráfico da comunidade e preso desde o ano passado. Defesas não foram localizadas
Um dos principais alvos da operação do MP contra o crime organizado foi Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, o Leo do Moinho, acusado de ser o chefe do tráfico de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) no centro. Léo foi preso em 2024. Ela e outras seis pessoas foram presas nesta segunda-feira, 8.
Ainda de acordo com o MP, traficantes de drogas dominam grande parte dos imóveis na Favela do Moinho. O maior proprietário de casas no local seria justamente o Léo do Moinho.
O Estadão não consegui contato com a defesa dos alvos. Rodrigo Benetti, advogado de Leonardo Moja, afirma que ainda não recebeu a notificação das prisões relacionadas ao suspeito. A defesa diz que vai provar a inocência de Leonardo.
"Todos que estão sendo presos trabalham para o Léo do Moinho que, mesmo da cadeia, ainda controla o tráfico e as extorsões a moradores, através de seus irmãos", diz Lincoln Gakiya, promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo do MP e que investiga o PCC há mais de vinte anos.
A Polícia Civil investiga relatos de que os traficantes querem cobrar "pedágio" dos moradores que têm recebido auxílio-aluguel ou dinheiro para se mudar do Moinho e comprar imóvel em outra região.
Alessandra seria responsável por esse grupo que cobra propina das famílias beneficiadas pelo acordo com o CDHU, somente autorizando o cadastro e assinatura mediante o pagamento de valores à família Moja.
"Tanto os valores arrecadados neste contexto como os recursos derivados das demais atividades ilegais controladas por "Léo do Moinho" são arrecadados por Alessandra", diz denúncia do MP.
Ela se apresentava como líder comunitária e presidente da Associação de moradores da Favela do Moinho e foi a representante dos moradores nas tratativas com a Secretaria Estadual de Habitação sobre a remoção das famílias. Por conta desse papel, chegou a aparecer ao lado de políticos, dentre eles o presidente Lula. O encontro foi filmado e após a prisão dela, voltou a circular nas redes sociais. Na ocasião, entretanto, o presidente cumpria agenda no local, uma vez que a desapropriação foi feita por meio de um acordo entre União e governo estadual.
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que evento teve 'caráter institucional e público' e 'quem tiver cometido crime deve responder à Justiça'.
Segundo o MP, a operação foi um desdobramento da deflagrada no dia 6 de agosto de 2024 com o objetivo de desarticular ações do crime organizado na Cracolândia.
No final de junho, o Estadão mostrou que a comunidade é apontada pelos promotores do MP como "bunker" usado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para armazenar e distribuir drogas para o centro e outras áreas da cidade.
A comunidade abastecia várias regiões da cidade, entre elas, a concentração de usuários conhecida como Cracolândia, que ocupava a rua dos Protestantes. As operações policiais na Favela do Moinho, entre outros fatores, contribuíram para o esvaziamento da Cracolândia, de acordo com promotores do MP.
Hoje, dependentes químicos continuam espalhados em outras vias do centro de São Paulo. Agora, porém, estão em número total menor e também em grupos menores.