Prédio de luxo no Itaim: Secretaria diz que demolição teria impacto ambiental e defendeu alternativa
Secretário do Verde e do Meio Ambiente foi favorável a termo de ajustamento de conduta; Prefeitura destaca que parecer é anterior à ação pela derrubada, enquanto construtora defende obras em parques em troca da regularização
A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente se manifestou contrariamente à demolição do prédio de luxo construído irregularmente no Itaim Bibi, na zona nobre da cidade de São Paulo, com o entendimento de que a ação teria "impacto ambiental". Também aceitou a possibilidade de acordo para a compensação ambiental por meio de obras em parques.
O parecer foi assinado pelo secretário Rodrigo Pimentel Pinto Ravena em 2 de junho. A decisão ocorreu semanas antes de a Prefeitura requerer à Justiça a autorização para a derrubada do edifício de alto padrão, construído sem alvará de execução.
"Eventual demolição da obra já finalizada acarretará a produção de resíduos e material poluente, com sérios impactos ambientais, em flagrante infringência aos princípios que regem a proteção ambiental", apontou o secretário no documento. "Tendo em vista as características da região em que erigida a obra, plenamente urbanizada, contempla-se que eventual compensação ambiental atenderá mais eficaz e amplamente os anseios da população, das necessidades da cidade e, em especial, do meio ambiente", destacou.
A decisão de Ravena se refere a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pela responsável pela construção irregular, a construtora São José, em maio. No eventual acordo, de compensação ambiental, a empresa obteria a regularização do imóvel mediante obras de implantação e reforma de quatro parques.
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