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PM cumpre reintegração de posse em prédio de Eike no Rio

Edifício já foi sede do Flamengo e está arrendado para a EBX, que tem um projeto de construir um hotel no local

14 abr 2015
10h04
atualizado às 17h35
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Policiais cercam prédio arrendado a uma empresa de Eike Batista durante reintegração de posse no Rio de Janeiro
Policiais cercam prédio arrendado a uma empresa de Eike Batista durante reintegração de posse no Rio de Janeiro
Foto: Marcus Vinícius Pinto / Terra

A polícia voltou a errar a mão na desocupação do prédio na Avenida Rui Barbosa, 170, que pertence ao Clube de Regatas do Flamengo e estava sob posse do grupo de Eike Batista. Usando gás de pimenta, os policiais não conseguiram esperar a saída negociada dos todos os cerca de 300 ocupantes, entre eles 80 crianças, várias de colo. “Só entramos para apagar o incêndio”, disse o coronel Tenreiro, tentando justifica a truculência de alguns de seus homens.

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O policial que jogou spray de pimenta na cara de um homem que saia do prédio com uma criança de colo foi detido pelo comandante da Trope de Choque. Vários policiais foram atingidos em cheio pelo gás de pimenta. “Por sorte consegui me jogar para trás, mas por muito pouco ele não joga spray no meu filho de um ano”, reclamou Carlos Alexandre, cuja mulher estava grávida e deu à luz prematuramente no banheiro da ocupação esta madrugada. “Tenho minha mulher internada, meu filho entre a vida e a morte, cuidando de outro filho e somos tratados assim pela polícia”, reclamou. Ele foi até a delegacia acompanhado de um advogado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para fazer o reconhecimento do policial.

População reclama de excessos da PM em reintegração no Rio

Na hora de deixar o prédio, parte dos invasores ateou fogo no hall de entrada e no primeiro andar do prédio, mas como observou o advogado da Comissão de Direitos Humanos, da OAB, Marcelo Chalreo, a invasão da polícia foi desnecessária. “Os Bombeiros levaram três minutos para controlar o incêndio. Eles poderiam ter esperado”, afirmou. Mas para uma oficial de justiça, que o Terra não conseguiu identificar, pedia a todo instante para o coronel Tenreiro, da PM, para invadir o local de qualquer maneira. Chalreo e o verador Jéfferson Moura, além de fotógrafos foram agredidos pela PM.

Depois da ação da polícia a saída, que estava sendo pacífica, se transformou numa correria entre policiais e invasores pelas ruas próximas. Quatro pessoas foram detidas por desacato e levadas para a 10ª delegacia de polícia e acompanhados de advogados da OAB . Muito emocionado, Alexandre Silva, um dos líderes do movimento quase não conseguia parar de chorar. “Vocês viram a covardia. Saímos pacíficos. Infelizmente, não tenho palavras. Agora temos que conversar.”

A prefeitura ofereceu 130 vagas em diversos abrigos espalhados pela cidade, mas os invasores ainda não decidiram o que fazer. “Amanhã vai ter uma reunião na sede da secretaria de Direitos Humanos no Estado para tentar inserir essas pessoas em programas sociais do município”, disse o vereador Jefferson Moura, do PSOL, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Os invasores deixaram o prédio carregando mochilas, colchonetes, sacolas, sacos de lixo da Comlurb com seus pertences. Eles esperaram a desocupação desde as primeiras horas da manhã, mas uma negociação comandada pela Defensoria Pública conseguiu adiar até cerca de 10h20 da manhã a saída deles do prédio. Agora eles seguem outra vez sem ter onde morar e os que não forem para abrigos vão acampar na frente da prefeitura, na Cidade Nova. 

Fonte: Terra
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