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PF prende suspeito de transportar cocaína das Farc a cartéis mexicanos

Ronald Roland era investigado pela PF ao menos desde 2015 por transporte aéreo de drogas e estava foragido; Justiça pediu sua inclusão na lista da Interpol

10 jul 2019
11h35
atualizado às 11h38
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A Polícia Federal prendeu na tarde de terça-feira, 9, o empresário Ronald Roland, acusado de integrar uma quadrilha que realizava transporte internacional de cocaína. Ele era investigado desde 2015 pela PF e é apontado como um dos principais articuladores de um esquema que levava drogas da Venezuela, Colômbia e Bolívia para os mercados do Brasil, Estados Unidos e Europa.

Há quatro anos, Roland foi acusado de organizar o transporte de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, que era feito da Venezuela a Honduras. Ele estava foragido ao menos desde fevereiro, quando teve a prisão decretada pela Operação Flak, da PF no Tocantins. A Justiça chegou a pedir a inclusão do seu nome no sistema de difusão vermelha da Interpol.

Aviões usados para transporte de droga apreendidos pela PF na Operação Flak, em fevereiro de 2019
Aviões usados para transporte de droga apreendidos pela PF na Operação Flak, em fevereiro de 2019
Foto: Divulgação/PF / Estadão

Roland foi preso em São Paulo durante o feriado da Revolução de 32. Ele teria sido encontrado após um descuido de sua mulher, que colocou em suas redes sociais o nome do restaurante Uru Mar y Parrilla, na zona leste da capital, onde os dois almoçavam.

Segundo a PF de Tocantins, ele deve prestar depoimento nesta quarta, 10, e provavelmente permanecerá detido em São Paulo, onde já tem uma condenação.

A Operação Flak, a última a mirar Roland, teve início há dois anos. O esquema chegou a recrutar até pilotos comerciais de "grande experiência". Segundo a PF, entre meados de 2017 e 2018 a quadrilha investigada realizou no mínimo 23 voos e transportou, em média, 400 quilos de cocaína em cada viagem, o que é equivalente a mais de nove toneladas.

Só essa operação rendeu a Roland acusações por tráfico transnacional de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Um dos principais acusados da Operação Flak continua foragido. A PF de Tocantins preferiu não divulgar o nome deste suspeito.

Farc

Em 2015, o Estado revelou que Roland e o empresário Manoel Meleiro Gonsalez eram responsáveis pela entrega de toneladas de droga aos cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas. Na época, o grupo comprava códigos de identificação do controle aéreo venezuelano, onde que, assim, deixava de abater o avião. A droga era adquirida de representantes das Farc no país. Cada voo pagava até US$ 400 mil de propina a militares da Venezuela, como mostravam mensagens interceptadas pela PF nos celulares dos suspeitos.

Estadão
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