Paraense constrói moto aquática de madeira e é abordado pela Marinha
Criador de veículo inusitado virou sensação na internet e deve regularizar uso de moto aquática
Uma moto aquática de madeira, construída de forma artesanal no Pará, virou sensação nas redes sociais e chamou a atenção da Marinha do Brasil. O projeto, que ficou conhecido como “CrisJet” nas redes, devido ao nome do criador, Cristiano Gonçalves, deve passar por regularização, testes de segurança e acabamento para poder ser utilizado.
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Cristiano é carpinteiro naval e trabalha em Abaetetuba, no Pará. Segundo ele relatou em um vídeo, publicado no Instagram no último domingo, 21, a construção da moto aquática de madeira foi um sonho realizado. Devido à repercussão de seus vídeos, a Marinha foi até seu estaleiro, onde ele trabalha fazendo reparos em embarcações e fabrica peças.
“Todos sabem que foi um sonho que eu tirei do papel, né? Consegui construir. E agora teve uma repercussão tão grande, que eu tive o privilégio de ter a Marinha em meu porto hoje cedo, para devidos esclarecimentos e regularização da nova moto aquática”, disse.
Por se tratar de uma embarcação motorizada, existem normas de segurança e documentação específica para que o veículo possa navegar. “Vamos aproveitar esse momento para dar uma pausa no teste de navegação e continuar aqui em terra, no estaleiro, a terminar o acabamento dele”, completou Cristiano.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a embarcação tem cerca de 4,5 metros de comprimento e recebeu um motor Kawashima de 38 HP. O modelo também conta com sistema de resfriamento, importante em uma estrutura motorizada com compartimento fechado e pode, assim como motos aquáticas normais, levar um passageiro.
Apesar da visita da Marinha ter sido inesperada, o criador do CrisJet levou a situação como uma boa surpresa. Agora, caso a embarcação esteja apta para ser regularizada, poderá navegar em rios da região.
O que diz a Marinha
Em nota ao Terra a Marinha do Brasil informou que após a inspeção, realizada no dia 16 de junho, foi constatado que a embarcação artesanal motorizada, estava sem inscrição junto à Autoridade Marítima Brasileira (AMB) e com pessoas a bordo sem o uso de coletes salva-vidas.
Foram encontradas irregularidades quanto à segurança e por isso o proprietário foi multado e a embarcação foi apreendida, sem poder navegar até a regularização.
"Na ocasião, a equipe da CPAOR prestou os esclarecimentos e as orientações necessárias quanto aos procedimentos para regularização da embarcação, bem como sobre a obrigatoriedade do uso de equipamentos de salvatagem e do cumprimento das Normas da Autoridade Marítima", disse a autoridade.
A CPAOR ressaltou que reconhece a importância da criatividade e da tradição da construção naval artesanal existente na região amazônica. "Entretanto, toda embarcação que navegue em águas jurisdicionais brasileiras, independentemente de seu porte, material de construção ou forma de fabricação, deve atender aos requisitos mínimos de segurança estabelecidos pela AMB, a fim de proteger a vida dos condutores, dos passageiros e dos demais navegantes dos nossos rios, mares e lagos".
A Marinha ainda ressaltou que o cumprimento das regras de inscrição da embarcação, habilitação do condutor e utilização de coletes salva-vidas não constitui obstáculo à inovação, mas é uma medida essencial para que a navegação ocorra de forma segura e regular.
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