Pai vê negligência e falha em atendimento ao filho de 3 anos morto após picada de escorpião: 'Gritava de dor'
Houve demora no atendimento e na aplicação de medicação, enquanto o menino apresentava sintomas graves, segundo relato do pai
O pai de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, que morreu após ser picado por um escorpião em Conchal (SP), vê negligência e falha no atendimento ao filho no Hospital e Maternidade Madre Vannini. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o pai de Bernardo, Paulo Mendes, reclamou da demora no atendimento e identificação da gravidade do caso por parte dos funcionários.
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"O meu filho ali gritava [de dor], dentro da sala. [Falava] papai, mamãe, eu tô com muita dor na barriga, muita dor na barriga. Foi aí quando eles começaram a notar, que o caso dele era muito grave", afirmou o pai emocionado.
O menino foi picado na terça-feira, 31, e foi transferido para o Hospital e Maternidade Madre Vannini, da Santa Casa de Araras, mas não resistiu e morreu na manhã de quarta-feira, 1°. A unidade não tinha o soro antiescorpiônico.
Em nota, o Hospital e Maternidade Madre Vannini informou que adotou as medidas medidas clínicas compatíveis com a capacidade da unidade. (Confira no final a nota na íntegra)
Onde o menino foi picado pelo escorpião
Paulo contou que brincava com o filho em casa quando o menino deitou em um colchão e foi picado duas vezes no ombro. Ao levantar o colchão, o pai encontrou o escorpião, matou o animal e levou o filho ao hospital.
Segundo ele, na triagem o escorpião foi recolhido, mas a criança aguardou atendimento chorando de dor. "Ele gritava... eu tô com muita dor na barriga", relatou.
De acordo com o pai, houve demora no atendimento e na aplicação de medicação, enquanto o menino apresentava sintomas graves, como vômitos frequentes. O pai também apontou despreparo da equipe.
O pai questionou os funcionários se eles já tinham presenciado os sintomas que Bernardo estava sentindo em outras crianças. "Ele falou assim: 'eu só vi em vídeo', então eles não tinham preparo".
A criança foi levada à UTI e, após piora, transferida para outra unidade, com demora no transporte. "No caminho... ele já teve a primeira parada cardíaca", afirmou o pai.
No hospital, o menino recebeu o soro, mas o quadro continuou grave. O pai questionou se era um soro para picada de escorpião e foi informado pelo profissional que só o soro só era disponibilizado em caso de necessidade, e que o filho ficaria em observação durante 6 horas.
Os pais foram orientados a voltar para casa e, no dia seguinte, chamados de volta. Pouco depois, Bernardo morreu.
O que diz o Hospital e Maternidade Madre Vannini
A Associação Filhas de São Camilo, por meio do Hospital e Maternidade Madre Vannini, manifesta profundo pesar pelo óbito de uma criança atendida na unidade e transferida em caráter de urgência, na noite de 31 de março de 2026, para a Santa Casa de Araras – Hospital São Luiz, vítima de envenenamento por picada de escorpião. Expressamos nossas sinceras condolências à família e nos solidarizamos com este momento de dor, reafirmando que toda a equipe atuou com dedicação, empenho e respeito à vida.
O escorpionismo, causado pela picada de escorpião — especialmente da espécie Tityus serrulatus (escorpião amarelo) — é um grave problema de saúde pública no estado de São Paulo, com acentuado crescimento de casos, sobretudo no interior. Fatores como urbanização desordenada, acúmulo de entulho e presença de insetos favorecem sua proliferação, aumentando os riscos, principalmente entre crianças.
Durante o atendimento, foram adotadas todas as medidas clínicas compatíveis com a capacidade da unidade, incluindo acolhimento, avaliações médicas, acesso venoso, analgesia, bloqueio anestésico, corticoterapia, soroterapia e suporte vasopressor, diante da evolução do quadro. Com o agravamento, foi acionada a Central de Regulação do Estado (Cross), responsável exclusiva pela definição do hospital de destino, sendo a transferência realizada pelo Samu para a unidade indicada.
Esclarece-se que o Hospital e Maternidade Madre Vannini não dispõe de UTI pediátrica, nem integra a rede de pontos estratégicos para disponibilização de soro antiescorpiônico, cuja distribuição é definida pelo SUS e concentrada em unidades de referência. Essas condições configuram limitações estruturais do sistema público de saúde, não decorrentes de omissão institucional.
O hospital reafirma seu compromisso com a qualidade e transparência no atendimento, respeitando integralmente a confidencialidade das informações do paciente e de sua família, e coloca-se à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários.