O que pode provocar infestação de escorpião? Veja diferenças de espécies e como se proteger
Moradores de Perdizes, na zona oeste de SP, alertam para a presença do aracnídeo nas ruas e dentro das casas. Chef de cozinha foi picado no início de maio
Ao menos 200 incidentes envolvendo escorpiões foram registrados pela Prefeitura de São Paulo desde o início deste ano.
Moradores de Perdizes relatam infestação em ruas do bairro. Um chef de cozinha contou ao Estadão que foi picado quando cuidada das plantas na varanda de seu apartamento, no início de maio.
Mas quais os fatores que podem explicar a presença do animal no ambiente urbano?
Segundo a Secretaria da Saúde, nas cidades, eles podem ser encontrados em áreas verdes, como parques, mas também em terrenos baldios, linhas de trem, instalações elétricas, e em meio a materiais de construção e entulhos.
As espécies mais comuns de escorpião no Estado de São Paulo são o amarelo (Tityus serrulatus) e o marrom (Tityus bahiensis).
O primeiro é encontrado nas áreas urbanizadas, galerias de águas pluviais e esgotos. Sua principal característica é que a fêmea reproduz sem a necessidade do macho. O segundo vive em áreas menos urbanizadas com acúmulos de material e vegetação densa.
Ambas são espécies venenosas e podem resultar em acidentes graves, principalmente com crianças, pessoas imunocomprometidas, idosos e animais de estimação.
Em entrevista ao Estadão, a médica veterinária Thais Eleonora Madeira Buti, coordenadora da Zoonoses em Sorocaba, disse que o período de chuvas e de calor favorece o surgimento de escorpiões, assim como todas as pragas e insetos.
Alguns deles, como as baratas, são alimentos para os escorpiões urbanos. A aplicação de veneno, segundo ela, não é indicada para controle de escorpiões, porque eles têm mecanismos de defesa.
Dotados de um apêndice que é quimiorreceptor, eles sentem os produtos químicos no ambiente e fogem, podendo até fechar a respiração para não se intoxicar com o veneno.
Não há uma única explicação para o aparecimento de escorpiões, mas alguns fatores, somados, explicam o aumento populacional desses animais:
- Alta capacidade de adaptação ao ambiente urbano;
- Escassez de predadores naturais, principalmente nas galerias de águas pluviais e redes de esgoto, locais de maior população de escorpiões amarelos;
- Reprodução assexuada do escorpião amarelo;
- Abundância de alimentos (baratas);
- Ausência de um produto químico específico para o controle;
- Capacidade de perceber prematuramente a presença de veneno no ambiente, facilitando a fuga.
Como evitar e o que fazer em caso de picada?
A Prefeitura diz que conta com um programa de controle destes animais, além de orientações de medidas preventivas, averiguação e busca ativa de locais onde o aracnídeo é encontrado. "Os agentes realizam vistorias em imóveis e locais com registros de aparecimento, como terrenos, bueiros e outros".
Para evitar a presença e proliferação de escorpiões, as orientações são:
- Manter a tampa dos ralos internos na posição fechada e abrir apenas para limpeza e enquanto estiver em uso;
- Colocar telas milimétricas nos ralos na área externa;
- Vedar frestas nos muros, paredes e pisos;
- Vedar a soleira das portas com rodinho ou rolinhos de areia;
- Não acumular entulho ou materiais de construção;
- Verificar se os espelhos de luz e pontos de fiação elétrica não apresentam frestas e vãos;
- Manter o ambiente limpo e organizado; acondicionando o lixo em recipientes fechados;
- Manter a limpeza de jardins, sem acúmulo de folhas; providenciar a limpeza e corte do mato em terrenos;
Para evitar acidentes:
- Examinar roupas e calçados antes de usá-los;
- Manter cama, sofás, berços afastados da parede;
- Manter lençóis, cobertores, cortinas sem contato diretamente com o chão;
- Usar luvas grossas ao manusear materiais de construção, na limpeza de jardins ou outros materiais que possam servir de abrigo a escorpiões.
No caso de contato com os animais, a recomendação é limpar o local da picada com água e sabão e não aplicar nenhum tipo de produto.
Na sequência, é necessário procurar o atendimento em uma das unidades de pronto atendimento da rede de saúde ou atendimento especializado nas Unidades de Referência da capital.