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No festival 'Tambaqui da Amazônia' na Esplanada, sobra feijão

Seis toneladas de peixe seriam assadas e distribuídas ao público a partir das 12h, em troca de um quilo de alimento não perecível; multidão foi ao local e senha do 'vale peixe' acabou antes do horário previsto

7 ago 2019
15h27
atualizado às 15h31
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BRASÍLIA - O cheiro do peixe assado tomava conta do canteiro central da Esplanada, atraia uma multidão na manhã desta quarta-feira, 7, em Brasília. A Polícia Militar tratou de colocar ordem na fila. Numa área isolada por alambrados, dezenas de churrasqueiros viravam as grelhas cheias de tambaquis assados. Seis toneladas do peixe, o equivalente a 4 mil bandas de tambaquis, seriam assadas e distribuídas ao público a partir das 12h, em troca de um quilo de alimento não perecível.

Muitos, porém, ficaram com fome. Às 8 horas da manhã, os organizadores já começaram a receber os alimentos e trocá-los por uma senha de papel, o "vale 1 banda de tambaqui". Ainda era cedo quando os peixes assados começaram a ser liberados para a população. "A gente não imaginava que viria tanta gente", dizia o churrasqueiro Luis, virando grelhas sem parar.

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As senhas acabaram. Em busca de seu "vale-peixe", Suelen Silva, técnica em enfermagem, ficou revoltava, com um saco de feijão nas mãos. "A gente veio de longe. Disseram que começariam a distribuir o peixe ao meio-dia. Chego aqui às 11 horas e não tem mais ficha? Mais nada? É um absurdo". Seu protesto ganhou o apoio dos que chegavam com os sacos de alimentos e eram comunicados de que o peixe tinha acabado. "É uma falta de respeito. Vim lá de São Sebastião. Quero minha banda de peixe", dizia Célia Regina, aposentada.

Os funcionários afirmavam que não tinham mais vale-peixes e mandavam as pessoas embora. Agentes da Polícia Militar chegaram para reforçar o recado de que a festa tinha acabado mais cedo.

Para aqueles quem chegavam ao local sem saber do que estava ocorrendo, ambulantes ainda tentavam vender sacos de feijão, açúcar e litros de óleo, por R$ 5 a unidade. "Esquece a fila e pega o alimento. Ainda tem peixe para assar!", gritava o vendedor Anastácio Mota, que tentava se desfazer dos mais de 60 quilos de sacos de feijão que levou para o gramado.

Em seu site, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirma que os tambaquis assados seriam distribuídos ao público a partir das 12h. "O povo tem fome sim. Quem disse que não tem?", disse Cláudio Roberto, desempregado. "A culpa do peixe ter acabado antes do horário é do servidor, que deixou a marmita no escritório e veio aqui comer", comentou ele.

O servidor do Ministério da Ciência e Tecnologia, Leandro Aragão, confirmou a tese. "Vim mais cedo. Fiquei só meia hora na fila e estou levando o meu peixe", disse, exibindo como troféu a caixa de papelão com o pescado assado.

Os peixes do festival foram doados pela Associação de Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar), Zaltana Pescados e Agrofish. O presidente da Acripar, Francisco Farina, informou que cerca de 40 produtores de Rondônia doaram os peixes, trazidos em caminhão frigorífico. A viagem durou três dias.

Foi a primeira vez que o ministério realizou o "Festival Tambaqui da Amazônia", na Esplanada dos Ministérios. O propósito é tornar o peixe amazônico mais conhecido. Ontem, o secretário de Aquicultura e Pesca do Mapa, Jorge Seif Júnior, disse que o brasileiro consome 10 quilos de pescado por ano, quando a média mundial é o dobro disso. "Precisamos incentivar a produção nacional, o consumo. As crianças brasileiras precisam conhecer o peixe brasileiro", disse o secretário.

Rita de Cássia, com sua filha Luana, de sete anos, também chegou tarde demais para apreciar o pescado. "Saímos de casa 9h30. Cheguei aqui às 11h15, mas não deu tempo", disse. "Fica para a próxima."

Estadão
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