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Nível do Cantareira fecha mês acima do esperado e Sabesp diminui tempo de pressão reduzida à noite

Chuvas e afluências acima do previsto contribuíram para o volume útil do sistema fechar 2,1% acima do esperado para julho

31 jul 2026 - 22h06
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A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) determinou que o período de Gestão de Demanda Noturna (GDN) do Sistema Cantareira — quando a Sabesp reduz a pressão da água nas tubulações durante a noite — seja reduzido de 10 para 8 horas. A medida foi anunciada pelo governo paulista nesta sexta-feira, 31, e indica melhora nos níveis de água do sistema que abastece metade da Região Metropolitana de São Paulo.

A redução da pressão já começa a valer neste sábado, 1º. Com isso, o novo horário da gestão noturna realizada pela Sabesp, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, será das 22h às 6h.

Represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior do Estado de São Paulo. Um dos reservatórios do Sistema Cantareira.
Represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior do Estado de São Paulo. Um dos reservatórios do Sistema Cantareira.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Segundo o governo, a melhora no nível do Cantareira decorre das chuvas e das afluências acima do previsto registradas na região do sistema durante o mês de junho e na semana entre 20 e 26 de julho, "quando foi registrado volume de 31,6 milímetros de chuva, 177% acima do previsto nos modelos meteorológicos".

O Sistema Cantareira é composto pelos reservatórios interligados Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com volume útil total de 981,5 bilhões de litros. Embora os reservatórios estejam em território paulista, parte da água provém de rios com nascentes e trechos em Minas Gerais.

Extrema, cidade do sul mineiro e localizada na bacia do rio Jaguari, registrou precipitação de 61,2 milímetros na penúltima semana de julho, equivalente a 144,3% da média climatológica do mês para o sistema. Em junho, o acumulado de chuvas foi de 103,2 milímetros, praticamente o dobro do registrado em maio (53,5 milímetros).

Com isso, o volume útil do sistema chegou a 39,9%, 2,1 pontos porcentuais acima dos 37,8% projetados, permitindo a saída da faixa 3 para a faixa 2 da curva de contingência do Cantareira.

Contudo, pelos critérios adotados pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela SP Águas para a operação do Sistema Cantareira, o volume ainda se encontra na faixa de atenção, aplicada quando o nível útil fica entre 30% e 40%.

Em junho, o sistema já havia encerrado o mês abaixo do limite da faixa, com 39,87% do volume útil. A entrada na faixa de atenção obrigou a Sabesp a reduzir a captação de água do Cantareira de até 31 metros cúbicos por segundo para até 27 m³/s.

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, ponderou que, apesar da melhora, os volumes acumulados ainda não são elevados. "O volume útil de hoje não está acima da média histórica; ele está 2,67% acima do que projetávamos para julho. Ou seja, a reservação respondeu positivamente e estamos operando acima da curva projetada para o período", afirmou.

Natália também reforçou a importância de a população manter o consumo consciente de água. "É fundamental que todos compreendam que São Paulo vive uma situação crônica de escassez e que o uso consciente precisa fazer parte da rotina diária em todos os períodos, seja no chuvoso ou no seco", disse.

Em nota, o governo de São Paulo destacou ainda que a Gestão de Demanda Noturna, iniciada em agosto de 2025, já proporcionou economia de 183 bilhões de litros de água.

O Estado também diz acompanhar obras para ampliar a capacidade de abastecimento e a oferta hídrica do sistema, como as transferências Itapanhaú e Guaratuba, acréscimo de 2 mil litros por segundo e 200 litros por segundo, respectivamente, ambas já concluídas, além da construção de 30 reservatórios que poderão ampliar a capacidade de reservação em 202.500 metros cúbicos.

Estadão
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