Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Motorista que armou bloqueio no Rodoanel era policial e foi exonerado da PM por 'atos desonrosos'

Dener Laurito dos Santos atuou na PM entre 1994 e 2005 e integrava o 22° Batalhão; defesa dele não foi localizada

19 nov 2025 - 22h48
Compartilhar

O motorista Dener Laurito dos Santos, que confessou nesta quarta-feira, 19, ter bloqueado parte do Rodoanel Mário Covas no último dia 12, foi policial militar de São Paulo por mais de 10 anos. No entanto, em 2006, ele acabou sendo expulso da corporação por cometer "atos desonrosos" e que foram considerados uma "transgressão disciplinar de natureza grave" dentro Regulamento Disciplinar da PM.

A informação consta no Diário Oficial do Estado, da edição do dia 2 de março de 2006. Conforme apuração do Estadão, Dener trabalhou na PM de 1994 até 2005 e, antes de ser punido com a pena de expulsão, integrava o 22º Batalhão da Polícia Militar paulista.

A reportagem buscou contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP) para saber as razões da expulsão de Dener e aguarda retorno. A defesa atual do motorista não foi localizada, bem como o advogado que o defendeu no processo de 2006.

O motorista, natural de Ribeirão Pires, vinha trabalhando como colaborador da transportadora Sitrex, que tem sede em São Bernardo do Campo, e fazia entregas para clientes de outros Estados e até de outros países.

Caminhão dirigido por Dener atravessado no Rodoanel Mário Covas, na região de Itapecerica da Serra
Caminhão dirigido por Dener atravessado no Rodoanel Mário Covas, na região de Itapecerica da Serra
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Confissão

Nesta quarta, Dener Laurito dos Santos confessou à Polícia Civil de São Paulo que forjou o próprio sequestro. A armação teria sido feita para "chamar a atenção", disse ao Estadão o delegado Nico Gonçalves, secretário interino de Segurança Publica de São Paulo.

Conforme Nico, o motorista admitiu o falso crime depois de a polícia apontar inconsistências na versão que ele dava sobre o sequestro. "Foi quando ele confessou e disse que gostaria de chamar a atenção da categoria. Ele mesmo fez a bomba falsa, se amarrou e jogou a pedra contra o caminhão".

Em nota, a SSP-SP informou que Dener foi indiciado por falsa comunicação de crime "após confessar em depoimento que ele próprio produziu o simulacro de bomba".

"As investigações continuam sob responsabilidade da DISE de Taboão da Serra para o completo esclarecimento dos fatos e a devida responsabilização criminal do indiciado", acrescentou o comunicado.

A advogada criminalista Julia Cassab afirma que a falsa comunicação de crime tem pena prevista de um a seis meses de detenção ou multa.

"Se a história foi inventada, ou seja, se não houve assalto nem sequestro, pode haver responsabilização. O crime mais evidente seria falsa comunicação de crime (artigo 340 do CP), já que a narrativa dele mobilizou aparelhos de segurança pública e concessionária", diz a especialista.

"Dependendo do resultado da investigação, também se pode discutir eventual interrupção de serviço de utilidade pública (artigo 265), se ficar demonstrado que ele deliberadamente bloqueou a via para criar a situação", acrescentou a advogada, que atua no escritório João Victor Abreu Advogados Associados.

Relembre o caso

Na início da manhã da última quarta-feira, o caminhão conduzido por Dener parou sobre as três faixas do Rodoanel, na altura do quilômetro 45 da via, e provocou o bloqueio total da pista. A polícia foi acionada pelo próprio motorista, que foi encontrado sozinho, com as mãos amarradas, e com um simulacro de bomba dentro do veículo.

Após horas de operação policial, que contou com o apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), Dener Laurito foi resgatado e chegou a ser hospitalizado por estar em um suposto estado de choque. Aos policiais, ele contou que tinha sido rendido por três criminosos na estrada e sofrido agressões enquanto era mantido refém.

Na ocasião, a Polícia Civil registrou o caso como tentativa de roubo, visto que, conforme as investigações, nada tinha sido levado pelos supostos assaltantes.

Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, o motorista relatou que estava em viagem desde 12 de outubro. Ele teria saído de Quatro Barras, no Paraná, com uma carga de explosivos destinada ao Peru, e retornava para casa quando foi abordado pelos criminosos.

"Tomei muito chute na costela, pisaram no meu pé, no meu joelho, torceram meu braço", disse o condutor, que afirmou não se recordar do momento em que os criminosos colocaram a falsa bomba. "O caminhão tem cortina. Eu fui colocado no caminhão. Eu só escutava barulho. Fechou e não se movia".

Na ocasião, a transportadora Sitrex, responsável pelo caminhão, disse que o veículo estava vazio e que Dener dirigia até a matriz da empresa, localizada em São Bernardo do Campo.

A Sitrex não confirmou o ponto de partida da viagem, mas afirmou que Dener "cumpriu adequadamente todos os procedimentos legais e de segurança", incluindo os períodos de descanso e o respeito aos limites de velocidade.

Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra