Mesmo com alerta, população come peixe da Lagoa da Pampulha
- Ney Rubens
- Belo Horizonte
Mesmo com todos os alertas de especialistas e da própria Prefeitura de Belo Horizonte de que a Lagoa da Pampulha está com um nível de poluição crítico, algumas pessoas ainda arriscam a saúde ao consumir peixes pescados do reservatório. O aposentado morador da cidade de Sabará José Júlio conta que pesca na Pampulha há 15 anos e que em três horas de pescaria já havia pescado três carpas, cada uma com cerca de 3 Kg.
"Já chegamos a pegar certa vez uma carpa com 11 kg, mas atualmente só tem dado tilápia em pequena quantidade. Antigamente tinha mais peixe aqui", recordou. Ele, o filho Juarez Júlio, e o neto, Paulo Antônio Gomes garantem que nunca se sentiram mal por terem comido os peixes da lagoa. "Passa mal quem come assado. A gente só come bem fritinho", afirmou Juarez, que não se importou em mostrar as carpas já dentro de um saco de linhagem.
No início da semana o carregador da Central de Abastecimento (Ceasa) José Natalício Filho, 41 anos, conseguiu pescar, em uma única tarde duas carpas que pesavam 15 kg e 12 kg. Mas a prefeitura alerta para os riscos de contaminação pelo consumo de peixes da Lagoa da Pampulha.
O gerente de Planejamento e monitoramento ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Weber Coutinho, explica que os peixes da lagoa podem conter partículas de coliformes fecais nas escamas e filé, além de metais pesados como zinco, cádmio e principalmente o chumbo, que causa doenças do sistema nervoso, musculares e renais.
Por isso mesmo o casal de aposentados Ana Maria da Conceição e Benício José Olímpio prefere não arriscar. "A gente vem para passar o tempo. Os peixes que a gente pega ou devolvemos para a lagoa ou damos para outras pessoas. A água está muito suja. É perigoso comer esses peixes", disse.
Jacaré
E no meio de tanta poluição, em um dos lugares mais bonitos da lagoa, pelo menos do lado de fora, nesta sexta-feira um grupo de pessoas foi atraído por um animal inusitado. O jacaré do papo-amarelo que vive na Pampulha resolveu aparecer para tomar sol num dos locais mais freqüentados, com o ginásio Mineirinho e o estádio Mineirão ao fundo. Festa para quem já ouviu falar do jacaré da lagoa, mas que nunca o tinha visto. "Vamos até tirar fotos para mostrar em casa", disse o estudante Vitor Barcelos.