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Laudo descarta suicídio e conclui que PM Gisele foi assassinada

STJ manteve a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado pelo feminicídio da esposa; 'Estadão' entrou em contato com a defesa e aguarda retorno

3 set 2026 - 17h27
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Resumo
Um laudo do Instituto de Criminalística descartou a hipótese de suicídio e concluiu que a soldado da PM Gisele Alves Santana foi assassinada com a intervenção de outra pessoa. O acusado é o ex-marido, o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, preso e denunciado por feminicídio e fraude processual. A perícia apontou divergências materiais e alteração na cena do crime para simular o suicídio. O Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão cautelar do militar, que nega as acusações.

A hipótese de suicídio da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi considerada incompatível com os elementos analisados na investigação, apontando que a policial foi assassinada, segundo um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo obtido pelo Estadão.

Segundo a polícia, houve intervenção de uma segunda pessoa na morte de Gisele. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é acusado de ter cometido feminicídio contra a ex-mulher em fevereiro de 2026. O jornal entrou em contato com a defesa de Geraldo e aguarda retorno.

Conforme o documento assinado na terça-feira, 1º, o instituto identificou divergências materiais determinadas entre a versão inicial apresentada e os vestígios físicos encontrados, além de um estudo detalhado das manchas de sangue na cena, que invalidaram categoricamente a hipótese de suicídio e sustentaram a participação de uma segunda pessoa.

Laudo aponta que hipótese de suicídio é incompatível com as provas analisadas no local do crime, diz polícia.
Laudo aponta que hipótese de suicídio é incompatível com as provas analisadas no local do crime, diz polícia.
Foto: Reprodução / Estadão

Na segunda-feira, 31, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Soares da Fonseca manteve a prisão de Geraldo em decisão liminar.

Fonseca é o relator do caso no STJ. Na liminar, o magistrado avaliou que é necessário manter a prisão cautelar em razão do risco de interferência na produção das provas e dos indícios de que o militar teria tentado eliminar vestígios e alterar o local onde a mulher foi encontrada morta.

O tenente-coronel foi denunciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual. A investigação aponta que, no dia 18 de fevereiro, Geraldo teria segurado a companheira e atirado na cabeça dela após uma discussão. Posteriormente, ele teria deitado o corpo de Gisele no chão e alterado a cena do crime para simular um suicídio, colocando a arma do crime na mão da vítima.

Geraldo Neto foi preso um mês depois do crime, em 18 de março, em São José dos Campos, por determinação da Justiça Militar, após investigação conduzida pela Corregedoria da PM. Atualmente, o réu está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital.

O tenente-coronel sempre negou o crime e sustenta que Gisele teria cometido suicídio após receber a notícia de que o marido queria a separação. A versão é contestada pelos investigadores.

Estadão
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