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Jovem desaparecida em passeio de moto aquática 'não ia aguentar mais tempo no mar', diz pescador

Dupla de pescadores, Alex Quintino dos Santos e seu filho Allan resgataram a jovem Bruna Damaris Sant'anna da Silva nesta terça; ela havia desaparecido no mar no domingo, 24

26 mai 2026 - 19h57
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Os pescadores Alex Quintino dos Santos, 47 anos, e o filho Allan Quintino dos Santos, 25 anos, resgataram do mar nesta terça-feira, 26, Bruna Damaris Sant'anna da Silva, de 26 anos. Bruna havia desaparecido durante um passeio de moto aquática na tarde do último domingo, 24, e ficou em alto mar até às 10h20 desta terça, boiando graças ao colete salva-vidas que estava usando. O amigo de Bruna, Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, que a acompanhava no passeio, segue desaparecido.

"Saímos de Maranduba (praia na costa sul de Ubatuba) às 2h da madrugada para pescar camarão. Mas a gente não estava encontrando muita coisa", conta Alex. Por isso, ele decidiu ir mais além com o barco Pôr do Sol II, que usa para pescar há mais de duas décadas.

"Eu disse: vamos mais para frente, mais para alto mar. Quando a gente estava saindo, meu filho disse que era arriscado a gente até achar a menina náufraga do jet ski", afirma Alex. Um dia antes, a moto náutica usado por Bruna e Dheoge havia sido encontrada perto da Ilha do Mar Virado, que fica a cerca de 7,5 quilômetros de distância da Praia de Maranduba. "Eu estava pensando em achar camarão mas também pensando que a gente podia até fazer uma boa ação", diz.

Alex e Allan Quintino dos Santos no barco Pôr do Sol II; dupla encontrou e resgatou a jovem Bruna Damaris Sant’anna da Silva, que desapareceu durante passeio de moto aquática
Alex e Allan Quintino dos Santos no barco Pôr do Sol II; dupla encontrou e resgatou a jovem Bruna Damaris Sant’anna da Silva, que desapareceu durante passeio de moto aquática
Foto: Lílian Cunha/Estadão / Estadão

Alex e o filho já tinham pescado e escolhido o camarão e estavam a ponto de iniciar o caminho de volta, quando viram Bruna erguer o braço. "Olhei para a frente e vi a pessoa fazendo sinal com o braço, a uns 100 metros do barco. Ela estava fraquinha mas conseguiu levantar a mão ainda", relata Alex. Ele acrescenta que costuma fazer a volta antes, mas achou que poderia encontrar mais camarão para o outro lado. "E aí a gente viu ela. A gente estava a uns dez quilômetro da Ilha dos Búzios ou da Ponta Grossa de Ilhabela", afirma.

Os dois se aproximaram e puxaram Bruna para o barco. A primeira coisa que ela fez, segundo Alex, foi tirar o colete salva-vidas, a blusa de manga comprida que ela usava por baixo e deitar. "Ela estava muito cansada e assustada. Ficou só de biquíni porque o colete estava machucando ela. O ombro estava todo roxo. Tirei minha blusa e coloquei nela. Trouxemos uns agasalhos, porque ela estava gelada, com calafrios. A nossa cachorrinha, a Adelaide, foi e ficou pertinho dela, para ajudar a aquecer a menina", recorda o pescador.

"Ela não ia aguentar mais tempo no mar. Eu mesmo já encontrei dois corpos no mar. Nesse caso, não mexi nos corpos, só chamei o GBMar. Mas, dessa vez, achar uma pessoa viva, poder salvar uma vida é muito gratificante", diz Alex.

Allan sabia das buscas pela menina pois tinha lido reportagens sobre o caso na internet. "Ela estava com dor e muita sede", conta ele, que deu água para ela beber aos poucos. Em seguida, ofereceu uma banana, que Bruna comeu com dificuldade. Ela conversava pouca coisa. Estava ainda em muito sofrimento e parecia ter alguns devaneios.

Os dois pescadores avisaram pelo rádio o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) que haviam encontrado a jovem. Depois de quase uma hora, os bombeiros encontraram o barco Pôr do Sol II, que seguia para Maranduba. Uma ambulância já estava na Barra dos Pescadores para levar Bruna para um hospital. O GBMar, entretanto, seguiu com a garota para Ilhabela por mar, onde ela foi internada no Hospital Mário Covas. Ela permanece até o momento sob os cuidados da equipe médica local.

Estadão
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