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Incêndio em Goiás já consumiu mais de 18 mil hectares

Após mais de uma semana do início das chamas, ainda estão ativos cinco focos, com dois deles oferecendo mais riscos ao Parque Nacional

20 set 2021 19h10
| atualizado às 19h21
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O incêndio na Chapada dos Veadeiros já dura nove dias e destruiu 18.620 hectares de vegetação na região, o equivalente a mais de 18 mil campos de futebol. Segundo o Corpo de Bombeiros de Goiás, equipes com 141 bombeiros e brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de voluntários, seguem trabalhando para apagar o fogo.

O coordenador da força-tarefa, capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, Luiz Antônio Dias Araújo, destaca que, nesta segunda-feira, 20, estão ativos cinco focos de incêndio, com dois deles oferecendo mais riscos ao Parque Nacional. "São focos localizados ao extremo norte do parque, no município de Terezinha. Nesses dois pontos existem, entre vários combatentes, bombeiros militares de Goiás e do Distrito Federal, além de brigadistas do ICMBio e voluntários", afirma.

Incêndio em Goiás já consumiu mais de 18 mil hectares
Incêndio em Goiás já consumiu mais de 18 mil hectares
Foto: Albery Santini / Futura Press

De acordo com o coordenador da operação, outros três pontos concentram serviço de monitoramento e vigilância para que não haja reignição e possam ser declarados extintos. Além disso, as equipes seguem fazendo o monitoramento das áreas durante a noite.

Os bombeiros têm contado com auxílio de aeronaves para o lançamento de água. "Estamos usando o combate direto com a tropa em terra utilizando abafadores, soprador, bomba costal e ferramentas para manuseio de terra (enxada, enxadão e pá). Outra técnica é o ataque combinado, que é quando os Air Tractor, os aviões que lançam água, auxiliam a tropa em terra", explica o coordenador da operação.

De acordo com o brigadista Alex Gomes da Silva, as condições climáticas (tempo seco e a baixa umidade do ar) e as reignições têm dificultado o trabalho de combate às chamas. "Em relação aos locais mais atingidos, no Vale da Lua e no Vale de São Miguel, temos reignição todos os dias. Mas, o maior estrago na verdade está sendo em toda a Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, com um terço atingido", informou.

Investigações

A Polícia Civil está na Chapada dos Veadeiros mapeando a área para investigar se os incêndios, que começaram no último dia 12, são criminosos. Luiz Antônio, que é coordenador da força-tarefa que combate as chamas, acredita que o fogo tenha sido causado por um incendiário, mas, devido à proporção de destruição, não é um trabalho rápido e a apuração demanda tempo.

O fogo teve início no Vale da Lua, onde cerca de 100 turistas que estavam no local foram resgatados após cerca de 1h30 de espera. Na terça-feira, 14, o fogo atingiu 8 mil hectares e, por causa do incêndio, o Vale da Lua e a Cachoeira do Segredo foram fechados. Na quarta-feira, 15, o incêndio provocou o fechamento do Parque Estadual Águas do Paraíso depois que uma linha de fogo com 7 milhas de comprimento começou a se aproximar da unidade.

Prejuízos e impactos

Em meio ao incêndio que já dura mais de uma semana, um agricultor contabiliza perda de cerca de R$ 1,5 milhão da produção de milho depois que a lavoura foi atingida pelo fogo. A fazenda fica em São João D'Aliança, no nordeste de Goiás. O vento forte e redemoinhos de cinzas fizeram o fogo se espalhar rapidamente.

O guia de turismo e condutor credenciado da Chapada dos Veadeiros João Paulo, no entanto, conta que em relação ao turismo não houve impactos até agora. "A cidade continua cheia, mesmo em dias de semana. Ao meu ver, não abalou o turismo que retomou o fluxo original pré-pandemia, e está numa crescente agora. Alguns locais fecharam, mas, logo após o incêndio ser controlado, já foram reabertos", contou.

Estadão
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