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Imagens indicam retirada de pacientes 8 minutos após fogo

Incêndio no Hospital Badim começou após curto-circuito em gerador e deixou 11 mortos

15 set 2019
22h35
atualizado em 16/9/2019 às 08h24
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RIO - Imagens das câmeras de segurança do Hospital Badim - que pegou fogo na última quinta-feira, 12, no Rio - obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, mostram que cerca de oito minutos se passaram entre o curto-circuito no gerador da unidade e o início da movimentação para a retirada de pacientes do local. A cronologia de imagens exibida no programa começa às 17h45, no subsolo onde ficava o equipamento. O incêndio deixou 11 idosos mortos, além de pessoas afetadas pela inalação de fumaça tóxica.

As câmeras mostram três pessoas conversando próximo ao local em que ficava o gerador. Ali havia equipamentos embalados em sacos plásticos, materiais de obra, uma moto e um carro estacionados. Há ainda tanques para óleo diesel. De acordo com o Fantástico, o Badim tinha quatro tanques com capacidade para 250 litros de óleo diesel cada. Não há informação de quantos litros havia no dia da tragédia.

As imagens confirmam os relatos de pacientes sobre picos de energia. Uma das câmeras capta faíscas pouco antes de a luz cair em todo o hospital. Alguns segundos depois as imagens mostram fumaça perto do gerador. No primeiro andar, começa a haver uma tensão e a fumaça chega ao almoxarifado. Enquanto isso, no subsolo, alguns homens vão calmamente até o gerador com extintores de incêndio. Os vídeos indicam que eles acreditavam ter conseguido apagar o fogo.

Convidado pelo programa a analisar as imagens, o presidente do Conselho Nacional de Peritos Judiciais, José Ricardo Bandeira, apontou que os extintores foram trazidos de outros andares, o que pode indicar a falta de extintores na área do gerador. Ele explicou ainda que uma hipótese é que tenha sido utilizado o extintor de CO2, não de pó químico, no primeiro combate ao fogo. Nesse caso o fogo foi apenas abafado e depois ficou fora de controle. O perito também destacou não ter identificado nenhum bombeiro civil e nenhum brigadista devidamente uniformizado nas imagens.

Segundo o Fantástico, quase oito minutos se passaram sem que as câmeras mostrassem nenhum sinal de alarme ou início de evacuação do local. Nesse tempo a fumaça foi se intensificando e atingiu os andares superiores do hospital.

"Em caso de incêndio, em caso de uma fumaça tóxica, sete oito minutos você poupa muitas vidas. É um tempo excessivo pra que você tome as medidas de contingência, tome a devida contenção ao incêndio e a evacuação ao prédio, então em sete, oito minutos, você evacuaria um prédio, desde que os funcionários estivessem preparados para executar essa função", afirmou o perito ao programa.

Em resposta ao Fantástico o Hospital Badim informou que o prédio possuía todos os equipamentos de incêndio exigidos por lei, como portas corta-fogo, extintores, detectores de fumaça com alarmes, e que todos funcionaram no momento do incêndio. Além disso, afirmou que uma equipe de brigadistas treinados estava no prédio e optou por esvaziar o hospital. Não foi informado se foram eles que tentaram conter o fogo.

O Badim confirmou que usa o gerador fora de situações de emergência, mas disse que faz manutenções regulares, que o equipamento ficava numa área isolada e que dispõe de sistemas de ventilação e exaustão de acordo com as normas de segurança.

Altas

Mais dois pacientes retirados às pressas do Hospital Badim durante o incêndio ocorrido na última quinta-feira, 12, receberam alta, informou em nota a unidade de saúde. Ao todo, 20 das 77 pessoas que foram transferidas para outros 12 hospitais do Rio já foram liberadas. No momento em que o fogo começou havia 103 pacientes internados no hospital, 41 delas na UTI.

"Temos um total de 57 pacientes internados e duas altas registradas desde o último comunicado (divulgado ontem). No momento, o número de familiares e colaboradores internados continua o mesmo (20)", diz o texto. "Ressaltamos que a maior parte das pessoas segue internada para a continuidade do tratamento das patologias que motivaram suas admissões no Hospital Badim e não por conta da inalação de fumaça".

Segundo o comunicado, o corpo médico do Hospital Badim está visitando todos os pacientes que continuam internados e acompanhando a evolução de seus estados de saúde diariamente.

A Polícia Civil do Rio deve seguir ouvindo depoimentos de testemunhas ao longo da semana. Três dias após o incêndio no Hospital Badim, na zona norte do Rio, as investigações sobre as causas da tragédia ainda são inconclusivas. Uma perícia complementar foi realizada ontem no subsolo do hospital onde está o gerador identificado como foco inicial do incêndio.

A conclusão preliminar das investigações é que um curto-circuito deu início ao fogo, mas ainda não se sabe o que o causou. A polícia ainda deve voltar ao local onde está o equipamento acompanhada de técnicos da empresa que fazia sua manutenção e retirar mais peças para testes.

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Estadão
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