Grupo que invadiu Câmara de Campinas arcará com prejuízos, diz vereador
Os manifestantes que vandalizaram e interromperam a sessão da Câmara de Vereadores de Campinas na noite de quarta-feira vão arcar com os prejuízos provocados pelo quebra-quebra, segundo o presidente da Câmara, Campos Filho (DEM). "Eles foram detidos para serem qualificados e responsabilizados pela invasão e destruição da Casa", disse. Ainda não há um cálculo do valor dos atos de vandalismo.
Filho afirmou que vai ingressar com ações indenizatórias contra as pessoas detidas pela Polícia Militar (PM), identificadas no 4º Distrito Policial e que acabarem indiciadas pela Policia Civil.
“Assim que a Polícia Civil proceder a investigação e pedir o indiciamento dos vândalos, a Câmara vai ingressar com uma ação pedindo uma indenização pelos danos causados”, disse o presidente.
Imagens gravadas pela TV Legislativa durante toda a ocupação foram encaminhadas à polícia. “Nós vamos atrás deles e cada um terá de pagar pelos prejuízos causados, disso podem ter certeza”, acrescentou.
O grupo de manifestantes era composto por 130 pessoas, a grande maioria formada por estudantes. Eles se concentraram no centro da cidade e seguiram em passeata até a Câmara. Alguns cobriam o rosto. Outros trouxeram megafone, cartazes, faixas, apitos e narizes de palhaço. Eles exigiam passe livre, abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as planilhas do custo das passagens de ônibus e a saída do secretário de Transportes do município, Sérgio Benassi (PCdoB).
Campos Filho disse que o prédio foi evacuado pouco depois das 2h desta quinta-feira. Ele falou também que a consultoria jurídica está analisando a questão para apresentar um orçamento da depredação. Na manhã desta quinta-feira, funcionários separavam cadeiras e mesas quebradas, mobiliário riscado e contabilizaram paredes pichadas, além de bandeiras e mastros arrancados, entre os principais equipamentos danificados.
"O valor maior é emblemático. Isso que aconteceu aqui não é bom para mim e nem é bom para a democracia", analisou o presidente da Câmara. Ao entender que os protestantes estavam muito exaltados e receber a informação de que pernoitariam no plenário, Campos Filho acionou uma equipe da Tropa de Choque da Polícia Militar que conteve a ação dos manifestantes. Um a um, os manifestantes foram colocados em dois ônibus e levados para o 4º Distrito Policial.
"A iniciativa de chamar a Polícia Militar foi para conter o tumulto e a confusão e impedir que se alastrasse para todo o prédio. Temos os gabinetes dos vereadores e os funcionários", argumentou. As imagens gravadas dentro do Legislativo foram enviadas à Polícia Civil para facilitar a identificação. Dentre os invasores estavam muitos jovens aparentando ser adolescentes, além da ex-vereadora Marcela Moreira (Psol).
O presidente da Câmara garante que o Legislativo vai estar aberto nas próximas sessões ordinárias, que ocorrem às segundas e quartas-feiras. "A Casa vai ser aberta normalmente na segunda-feira a quem quiser. Como de costume, as pessoas se identificam e pegam uma senha para acompanhar a sessão", falou.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.