Greve de motoristas em Manaus deixa 20 linhas de ônibus fora de operação
Mais de 1,2 mil funcionários da empresa de ônibus Global Green, de Manaus, iniciaram uma greve às 5h (horário local, 6h de Brasília) na manhã desta quinta-feira e paralisaram aproximadamente 390 ônibus que atendem os bairros da zona leste da capital amazonense. Mais de 20 linhas não circularam, afetando milhares de pessoas. A greve foi motivada pelo não depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do INSS dos trabalhadores.
"O prefeito de Manaus (Arthur Neto)prometeu que repassaria o valor do subsídio para pagar o FGTS e INSS direto para a conta dos trabalhadores, mas o repasse foi parar na conta da empresa. Aí a empresa quer pagar essa dívida em 180 parcelas. Não somos otários", reclamou Givancy Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Estado do Amazonas.
Segundo o motorista João Batista Gomes, que faz parte de uma comissão de funcionários criada para fiscalizar o repasse do INSS e FGTS na empresa, o sindicato se precipitou em deflagrar a greve. "Havíamos agendado uma reunião com o perfeito para as 17h de hoje para pedir para o prefeito resolver esse problema, mas fomos surpreendidos pelo sindicato fechando a garagem e impedindo os trabalhadores de sair", disse o motorista.
Em entrevista a uma rádio local, o prefeito Arthur Neto considerou a greve ilegal e inoportuna. "A permanência dessa empresa é inviável em Manaus porque ela está com uma dívida enorme. Minha paciência esgotou com a empresa e com o sindicato, que está fazendo um movimento político. O presidente do sindicato disse que está a serviço do senador Eduardo Braga (PMDB-AM)", disse o prefeito.
O valor do subsídio repassado à empresa Global Green pela prefeitura foi de R$ 398 mil. O valor serviria para pagar o atraso de nove anos no FGTS dos trabalhadores, inclusive da cobradora Suzi Fernandes, 50 anos. "Tenho mais de R$ 1,3 mil para receber", disse ela.
A empresa Global Green não quis se posicionar sobre a greve. O Sindicato das Empresas de Transporte do Amazonas (Sinetram) está acionando o setor jurídico para entrar com ação na justiça para obrigar os trabalhadores a voltarem ao trabalho. O senador Eduardo Braga não foi localizado para comentar as declarações do prefeito.
Braga classifica declarações como 'levianas'
Por meio de sua assessoria de impressa, Eduardo Braga rebateu as acusações feitas por Arthur Virgílio Neto. “A acusação não é verdadeira, não tenho mantido contato com o sindicato dos rodoviários e me recuso a fazer política dessa forma. Estou em Brasília trabalhando para liberar recursos para a cidade de Manaus”, disse.
Para o senador, o impasse trabalhista tem que ser resolvido com equilíbrio e com diálogo. Ele considerou a fala do prefeito de Manaus como "leviana".