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Greve CPTM: funcionários decidem manter paralisação das linhas 11, 12 e 13 em SP

Categoria pede garantia formal de manutenção dos empregos dos trabalhadores da companhia depois que as linhas foram concedidas à iniciativa privada; governo classificou como 'baderna' e vê motivação política

4 ago 2026 - 19h44
(atualizado às 23h16)
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Funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram, na noite desta terça-feira, 4, em assembleia, manter a paralisação das operações das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em São Paulo. Iniciada à 0h, a greve seguirá por prazo indeterminado e o rodízio municipal de veículos continuará suspenso nesta quarta-feira, 5. A medida foi tomada no início da noite, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, no Brás, centro da capital.

A proposta é que a categoria volte a se reunir na tarde de quarta e vote novamente a continuidade do movimento, conforme o desenrolar das conversas ao longo dia.

Os passageiros dos trens de São Paulo enfrentaram dificuldades na manhã desta terça por conta da greve dos ferroviários.
Os passageiros dos trens de São Paulo enfrentaram dificuldades na manhã desta terça por conta da greve dos ferroviários.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

"Hoje, nesta assembleia, baseado na ausência de resposta do governador resolve manter o movimento grevista até que o governador venha e nos dê um documento oficial com o pleito da categoria. Está na mão do governador. O que queremos é voltar para o trabalho e oferecer um transporte de qualidade que sempre ofereceu para a população", afirmou Luiz Barbosa Neto Junior, uma das lideranças do sindicato.

Em nota, o governo de São Paulo afirmou que a decisão do sindicato é "injustificável" e diz "reprovar" a continuidade da greve.

"O Governo do Estado de São Paulo manifesta sua absoluta reprovação à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais".

A paralisação atinge:

  • Linha 11-Coral, que liga as estações Palmeiras-Barra Funda e Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo;
  • Linha 12-Safira, que conecta a região central da capital, no Brás, à região leste da cidade e a municípios como Itaquaquecetuba e Poá, na Grande São Paulo
  • Linha 13-Jade, uma das vias entre São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Na manhã desta terça, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a greve como "baderna" e afirmou que o mote da paralisação é apenas político. Em postagem nas redes sociais, o chefe do Executivo estadual ainda defendeu a privatização das linhas de transporte, o que foi uma das suas bandeiras de campanha há quatro anos.

Por volta das 18h, os ferroviários decidiram dar o prazo de uma hora para o governo de São Paulo apresentar uma nova proposta. A categoria reivindica a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

A empresa assumiu as operações no final de julho,mas, após falhas e ocorrências, como um incêndio registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca em 23 de julho, o governo de São Pediu à CPTM para reassumir as atividades de forma temporária por 90 dias.

De acordo com os grevistas, 2.300 pessoas correm o risco de perder o emprego caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

Em nota à imprensa divulgada às 18h24, o governo do Estado afirmou que assumiu o compromisso de não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM. O texto diz ainda que a paralisação ocorre por decisão unilateral do sindicato, com justificativas baseadas em desinformação.

"A greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi decretada pelo sindicato mesmo após o compromisso do Governo de São Paulo de não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM", diz o governo.

"A paralisação ocorre por decisão unilateral do sindicato, com justificativas baseadas em desinformação e prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que usam as três linhas diariamente. Ao longo de todo o dia, a greve também afeta o trânsito na capital, com rodízio suspenso e pico de congestionamento de mais de 720 km pela manhã", continuou a nota.

Após o prazo de uma hora, os diretores do sindicato retomaram a palavra e leram a ata de uma reunião que a categoria teve com o governo na segunda, 3, no Palácio dos Bandeirantes. Segundo os grevistas, o documento comprova que a gestão estadual não apresentou nenhuma garantia formal de que os empregos dos ferroviários serão mantidos.

Os sindicalistas apresentaram também a proposta do governo que sugeriu o retorno das atividades mediante continuação das negociações com a garantia de que a administração apresente um substituto ao Projeto de Lei 730/2025 para ser votado ainda nesta atual legislatura. A proposta, contudo, foi rejeitada pela categoria.

O PL, de autoria do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

Estadão
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