Furtos, assaltos, tiros: ação de motoqueiros assusta moradores de Pinheiros: 'Sensação de medo'
Faixa alerta para recorrência de roubos na região; PM realiza operação 'Impacto Força Total' no bairro após jovem ser baleado
Uma sequência de roubos e furtos em Pinheiros, um dos bairros mais tradicionais da zona oeste de São Paulo, tem assustado moradores da região. No começo da semana, uma faixa para alertar sobre assaltos cometidos por motoqueiros chegou inclusive a ser instalada na Rua Lisboa, nos arredores da Praça Benedito Calixto. O aviso foi retirado horas depois pela Prefeitura.
"Pinheiros parece que deixou de ser um bairro legal, amigável. Temos sofrido assaltos com frequência, em todas as ruas", diz Rosane Brancatelli, do movimento Pró-Pinheiros. No primeiro trimestre, a região foi a segunda com mais roubos e a líder em furtos em toda a cidade. "Agora temos um bairro tenso."
Na madrugada desta quarta-feira, 27, um homem foi baleado em um roubo na região. Ele está internado no Hospital das Clínicas (mais abaixo). As investigações apontam que os criminosos atuam principalmente sobre duas rodas e quase sempre disfarçados em grupos de falsos entregadores, as "gangues das motos".
Ao Estadão, uma publicitária de 38 anos que participou da iniciativa afirmou que ao menos 50 moradores da região financiaram a ação. "O que motivou a instalação da faixa foi a gente estar cansado, na verdade, de presenciar tanto assalto, tantas histórias de assaltos e abordagens, e acho que, principalmente, a sensação de medo que vem pairando", disse.
A moradora conta que, em março deste ano, ela própria foi vítima de um assalto, enquanto caminhava com a cachorra por volta das 12h30 perto da Praça Benedito Calixto. "Fui abordada por um motoqueiro que veio na contramão, avançou sobre o meio-fio e subiu armado", afirmou. O ladrão levou o celular da publicitária, que teve um prejuízo de R$ 15 mil em transferências bancárias.
"É um bairro muito gostoso de se caminhar. Mas, com esse aumento, essa ameaça tão frequente de assaltos, de abordagens com armas, inclusive com disparos e mortes, a gente fica muito triste, muito preocupado e com a sensação de nervosismo muito forte", disse a publicitária, que mora na região há seis anos. No ano passado, um jovem de 23 anos foi morto ao lado do namorado em um assalto na região.
Há um mês, no dia 26 de abril, o ex-cônsul do Brasil no Japão Adelmo Garcia e sua mulher foram assaltados no bairro por três homens em motos. O casal esperava um carro de aplicativo, em uma rua movimentada do bairro, quando foi rendido pelos três assaltantes, um deles armado. Os criminosos levaram os celulares, uma bolsa com dinheiro e um relógio. Os suspeitos fugiram.
Em outro caso, no dia 28 de abril, um pedestre foi abordado à luz do dia por um motociclista quando caminhava pela Rua Lisboa. O suspeito, de capacete, apontou uma arma e exigiu o celular da vítima. Em seguida, fugiu. Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Estadão gravaram o assalto, agora investigado pelo 14.º Distrito Policial.
A faixa de indignação foi instalada pelos moradores por volta das 12h30 de segunda. Cerca de 2 horas depois, já havia sido retirada, segundo moradores. "A gente sabia que essa faixa ia ser retirada, a gente só não sabia que ia ser retirada tão rapidamente, o que só aumenta nossa revolta", afirmou a publicitária envolvida na iniciativa.
Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura confirmou que a faixa foi removida pela fiscalização, por meio da Subprefeitura Pinheiros, com base na Lei Cidade Limpa. Pela lei, a instalação de faixas em vias públicas não é permitida, salvo em exceções previstas na legislação.
Roubos são marcados por ações de falsos entregadores
Os ladrões se disfarçam de entregadores, tirando proveito do fato de que o bairro concentra grande número de comércios. "Sofremos mais onde tem acúmulo de restaurantes com grupos de motoboys esperando entregas. Já não nos sentimos confortáveis e tranquilos ao caminhar nas ruas. A insegurança e o medo sempre presentes, a qualquer hora do dia. Saímos sem celular ou aliança de casamento", diz Rosane.
Em janeiro, para chamar a atenção para a falta de segurança, uma pizzaria da Rua Fradique Coutinho chegou a distribuir fatias de pizza grátis para quem apresentasse um boletim de ocorrência de furto ou roubo na região.
Vanessa Rocha Rego, do Coletivo Pinheiros, que integra uma rede de 13 associações, diz que a entidade tem realizado ações conjuntas com o movimento Pró-Pinheiros para cobrar mais segurança no bairro.
"Promovemos reuniões e rodas de conversa com, Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Metropolitana; a gente quer colaborar com a segurança, mas esbarra numa questão de política pública", afirma. "Temos acompanhado o aumento das ocorrências. Eles sempre falam que caem, caem, mas está assim."
Governo do Estado e Prefeitura falam em reforço no policiamento
Conforme a Prefeitura, na região de Pinheiros, são 7.803 câmeras do Programa Smart Sampa. Além disso, a Guarda Civil Metropolitana, da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), mantém patrulhamento 24 horas por dia, com reforço em áreas estratégicas e operações permanentes, como Madrugada Mais Segura e Saturação, voltadas ao combate de furtos e roubos, especialmente de celulares.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que o roubo ocorrido na madrugada desta quarta é investigada para o devido esclarecimento dos fatos.
"A SSP reforça que as polícias Civil e Militar intensificaram as ações integradas na região de Pinheiros, zona oeste da capital, com foco no combate aos crimes patrimoniais, especialmente roubos e furtos", diz, em nota. A pasta destaca ainda que ações integradas seguem em andamento na área do 14º DP.
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