Ex-vereador é acusado de dar leite de merenda a porcos em SP
Chico Siqueira
Direto de Araçatuba
O Ministério Público Estadual de São José do Rio Preto (SP) investiga um ex-vereador acusado de dar leite da merenda escolar para os porcos de sua chácara. Inquérito policial aberto nesta terça-feira vai apurar a denúncia de que o ex-vereador Jair Afonso (PMDB), que é coordenador de uma escola infantil, usava o leite da merenda para consumo de sua família e para misturá-lo com a alimentação dos suínos.
Afonso, que é coordenador da Escola de Educação Infantil Augusta de Oliveira - creche que atende 185 crianças do Jardim Antunes, zona norte de Rio Preto - negou a acusação. A unidade é mantida pela Associação Evangelho Quadrangular em parceria com a prefeitura.
O ex-vereador foi denunciado pelo seu ex-caseiro Nevito Santos, que morava na chácara, localizada na zona rural de Cedral, cidade vizinha a Rio Preto. Santos entregou ao Ministério Público cerca de 60 saquinhos de leite pasteurizado vazios da marca usada na merenda escolar. Segundo Santos, as embalagens eram de leite usado para alimentar os porcos. O leite seria do programa Viva Leite, do governo do Estado, e de um programa da prefeitura de São José do Rio Preto.
"Segundo a denúncia, desde 2007 o ex-vereador levava de 6 a 8 l de leite pasteurizado em saquinhos por semana para a chácara para alimentar os porcos", contou o promotor Sérgio Clementino, que abriu inquérito civil e determinou abertura de inquérito policial para apurar suposto prejuízo aos cofres públicos e possíveis crimes de apropriação indébita e concussão. Ao promotor, Santos também disse que ficou sabendo por dois vizinhos que o leite era da merenda. "Ele ofereceu leite para os vizinhos, mas eles não aceitaram porque sabiam que era da merenda", disse.
De acordo com o promotor, a mulher de Afonso, que também é coordenadora de outra escola infantil e cujo nome não foi divulgado, também foi acusada de participar dos desvios. "Pedi perícia nos saquinhos e requisitei explicações da prefeitura para saber como funciona a distribuição do leite", disse.
"Ninguém que me conhece pode acreditar numa história dessas em sã consciência", afirmou o ex-vereador. "Eu invisto na creche, comprei divisórias, instalei equipamentos e pintei ela inteira com dinheiro do meu próprio bolso, por que haveria de desviar saquinhos de leite, sabendo que isso é errado?. Sou uma pessoa pública e jamais faria isso", disse Afonso.
Segundo ele, a denúncia foi feita porque Nevito Santos não teria conseguido da Justiça ganhar uma ação trabalhista. "Ele queria R$ 34 mil por ter trabalhado na chácara, uma quantia absurda", disse. Segundo Afonso, Nevito Santos apenas morava na chácara e não era contratado. "Eu o deixei morando lá porque ele me disse que não tinha para onde ir quando comprei o imóvel. Mas um dia ele ofendeu minha mulher e decidi desalojá-lo. Acho que ele não se conformou com isso", disse Afonso. "Agora ele terá de provar o que andou dizendo", completou.