Empresa de Fachada em Contrato de Móveis Escolares é Alvo de Ação do MPRS no Litoral Norte
Vistoria revelou que suposta fábrica de mobiliário em Imbé funcionava em residência geminada, sem maquinário ou funcionários.
Uma investigação do Ministério Público do Rio Grande do Sul detalhou o funcionamento de uma suposta empresa contratada em 2019 pela Prefeitura de Imbé para fornecer móveis planejados a escolas municipais. O caso, que resultou em uma ação civil pública por improbidade administrativa, é objeto de um recurso de apelação do MPRS para reverter a absolvição dos réus em primeiro grau. A promotoria aponta que o negócio foi constituído apenas um mês antes da assinatura do contrato para fraudar a licitação.
Vistorias técnicas realizadas pelos agentes do Ministério Público constataram que o endereço registrado como sede da empresa vencedora abrigava, na realidade, uma casa geminada convencional. O local não apresentava nenhuma estrutura operacional, ferramentas, operários ou maquinários necessários para a produção de móveis em larga escala. Os responsáveis também não apresentaram comprovantes de compra de matérias-primas essenciais, como placas de MDF e ferragens.
O prejuízo financeiro causado aos cofres do município foi calculado em mais de R$ 108 mil, em valores atualizados na data do ajuizamento da ação, em 2022. O promotor Fernando Mello Müller ressalta que o reaparecimento tardio de parte dos móveis não anula a irregularidade, visto que auditorias provaram o desabastecimento das escolas por um longo período. Testemunhas confirmaram que marceneiros do próprio quadro de servidores do município supriram a demanda que deveria ser da contratada.
O Ministério Público sustenta no recurso que a entrega extemporânea frustrou os objetivos da administração e aponta indícios de que novos bens foram providenciados posteriormente de forma duplicada para ocultar a fraude originária. O órgão pede que o Tribunal de Justiça aplique as penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa. As sanções solicitadas envolvem a perda do cargo público dos envolvidos, suspensão de direitos políticos e a devolução total dos valores desviados.
MPRS.
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