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Dilma inaugura neste sábado, em Porto Alegre, o 1º aeromóvel do País

8 ago 2013 17h10
| atualizado em 9/8/2013 às 17h36
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<p>Veículo é movido pela força do vento em um duto elevado sobre a pista</p>
Veículo é movido pela força do vento em um duto elevado sobre a pista
Foto: Reprodução

A presidente Dilma Rousseff participa na manhã do próximo sábado, em Porto Alegre (RS), da cerimônia de início das operações a linha do aeromóvel entre a estação Aeroporto da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb) e o Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Projeto pioneiro no País, com tecnologia nacional, o aeromóvel se movimenta com a energia gerada por um ventilador movido por um motor elétrico. Anda sobre trilhos, em rodas de aço, graças a uma "vela" posicionada sob seu assoalho, que é empurrada em um duto localizado dentro da via elevada.

Conheça detalhes do projeto do Aeromóvel

O evento de inauguração ocorre a partir das 9h, junto à estação do aeromóvel localizada na área do aeroporto. A partir da inauguração, tem início a operação assistida da linha de 814 metros, que tem previsão de duração de até 90 dias. A operação ocorrerá em horário reduzido, das 10h às 16h, de segunda a sexta-feira, sem cobrança de passagem. Durante esse período, o funcionamento estará ainda sob responsabilidade da empresa contratada pela Trensurb, a Aeromovel Brasil S.A.

Dois veículos, um com capacidade para 150 passageiros (em processo de finalização da automação) e outro para 300 (com chegada prevista para setembro), irão operar alternadamente conforme a demanda, percorrendo o trajeto em dois minutos. O valor total do projeto é de R$ 37,8 milhões.

Quando a operação plena tiver início, os usuários que embarcarem no aeromóvel no terminal junto ao aeroporto irão adquirir a passagem (no valor de R$ 1,70), que dará direito ao transporte na linha da Trensurb sem cobrança adicional. Da mesma forma, quem desembarcar na Estação Aeroporto da Trensurb poderá utilizar o aeromóvel para se deslocar até o aeroporto sem pagar nova tarifa.

Projeto é concluído 31 anos após idealização
Os recursos necessários para implementar o projeto (R$ 37,8 milhões) foram investidos pelo governo federal. O projeto do aeromóvel vai possibilitar maior integração para o transporte público da região metropolitana de Porto Alegre e será oferecido como um serviço gratuito aos usuários da Trensurb. A ligação direta deve beneficiar também funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) que percorrem o caminho até o aeroporto diariamente. Quanto ao número de passageiros, a Trensurb estima que aproximadamente 8 mil pessoas por dia devem fazer o caminho até o aeroporto pelo aeromóvel.

"Essa tecnologia foi duramente criticada no Rio Grande do Sul, mas verificamos que o questionamento é um grande equívoco. A vantagem energética é tremenda: vale muito a pena transformar a energia elétrica em vento para empurrar (o aeromóvel)", afirmou Ernani da Silva Fagundes, superintendente de Desenvolvimento e Expansão da Trensurb, após uma viagem de testes conferida pelo Terra.

Trinta e um anos se passaram desde que a execução do projeto foi interrompida. Questões políticas, acredita o idealizador do aeromóvel; o preço do pioneirismo, acreditam os responsáveis pela implementação atual, justificando a defasagem. "Isso que a gente chama de atraso é o custo de uma inovação", defende o gestor do projeto do aeromóvel, Sidemar Francisco da Silva. "Era impossível fazer esse veículo no prazo que estava nos contratos, ele tinha que ser adaptado dentro de novos padrões e seguir todo um conjunto de regras de segurança até então não definidas", afirma o gerente de Desenvolvimento de Engenharia da Trensurb.

O antigo protótipo ainda permanece parado nos trilhos elevados da linha original, em frente à Usina do Gasômetro: um símbolo do abandono. Apesar de a obra ter cessado na década de 1980, o projeto continuou tomando forma. E muito mudou desde o primeiro modelo, criado em 1977. A ideia conceitual, no entanto, permanece a mesma.

O aeromóvel se movimenta com a energia gerada por um ventilador movido por um motor elétrico. Anda sobre trilhos, em rodas de aço, mas não queima combustível. Seu inventor, o gaúcho Oskar Coester, compara o funcionamento do aeromóvel ao de um barco à vela ─ só que invertido. Em ambos os casos, é o fluxo de ar que promove a impulsão; no aeromóvel, um duto localizado dentro da via elevada empurra a "vela", fixada sob o veículo por meio de uma haste. A estrutura é leve: com capacidade para carregar 150 passageiros, pesa apenas 10 toneladas, enquanto um carro popular costuma ter cerca de uma tonelada.

Confira uma viagem no primeiro aeromóvel do Brasil:

"É um novo conceito de transporte. (O aeromóvel) tem custo bem menor porque movimenta menos peso", disse Coester. Sua ideia foi adotada apenas em um local até hoje: em Jacarta, capital da Indonésia, onde funciona dentro de um parque ao longo de uma linha de 3,5 quilômetros. "Esse sistema funciona desde 1989 em operação comercial na Indonésia e não registrou nenhum acidente", garante. Além do aspecto ambiental, ele destaca a segurança e economia do veículo não motorizado.

Todas as peças utilizadas na constituição do aeromóvel são de fabricação nacional. Os motores propulsores foram fabricados por uma empresa do Rio de Janeiro, e o motor elétrico foi desenvolvido em Caxias do Sul (RS). O projeto foi criado "do zero": toda a tecnologia e a estrutura necessárias são feitas no Brasil. O sistema é totalmente automatizado, e assim não exige condutores a bordo. Todo o controle é feito a partir de estações remotas, localizadas em cada ponto final da rota.

Aeromóvel
VEÍCULO MOVIDO A AR TERÁ SUA ESTREIA EM PORTO ALEGRE. CONFIRA PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Inauguração:  prevista para 10 de agosto de 2013
Trajeto: 814 metros em via elevada entre o aeroporto Salgado Filho e a estação da Trensurb
Tarifa: a passagem é gratuita para usuários do trensurb, que pagam R$ 1,70 pelo bilhete
Horário: das 10h às 16h, durante 90 dias após a inauguração
Capacidade: 150 passageiros no primeiro veículo. O segundo aeromóvel, com o dobro da capacidade, deve chegar em setembro e começar a operar em 2014
Custo total: R$ 37,8 milhões (recursos do governo federal)

 

 

Fonte: Terra
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